30 de maio de 2013

A Storm of Swords

A Guerra dos Cinco Reis continua em força e Catelyn Stark comete uma traição terrível por amor às filhas, que julga estarem em posse de Cersei Lannister, em Kings Landing. Por causa desta traição, Robb Stark perde o apoio de alguns dos seus aliados, ficando numa posição ainda mais delicada. Para cúmulo, anuncia que se casou com Jeyne Westerling, quebrando o pacto que tinha com os Frey, no qual Robb comprometera-se a casar com a filha de Walder Frey, Senhor das Gémeas, duas fortificações iguais em cada lado do Rio Tridente. Entretanto os Greyjoy conseguem conquistar o Norte e Winterfell.
Arya Stark encontra-se com a Brotherhood Without Banners, chefiadas por Lord Beric Dondarrion, que tinha sido enviado por Ned Stark para acabar com a pilhagem Lannister nas terras do Tridente. Após algumas aventura, Sandor Clegane, o Cão, rapta Arya para tentar entregá-la à sua mãe, em troca de um resgate. Quando chegam ao seu destino, as Gémeas, o bastião da família Frey, algo está a correr muito mal. O Cão sente o cheiro a sangue e salva Arya, contra sua vontade, de um destino terrível. O Cão fere-se num combate e Arya abandona-o à sua sorte seguindo depois para a cidade de Braavos onde procura tornar-se uma Assassina Sem Cara.
Entretanto, em King's Landing, no rescaldo da Batalha do Blackwater, Joffrey desfaz o seu noivado com Sansa Stark para se casar com Margery Tyrell, cujo Pai salvou a cidade da fúria de Stannis Baratheon que, depois da derrota, volta com o rabo entre as pernas para Dragonstone, a sua praça forte.
No casamento Joffrey morre envenenado e Cersei acusa seu irmão Tyrion de ter assassinado o sobrinho. As coisas estão muito más para Tyrion, com Cersei a arranjar testemunhas de acusação em cada esquina. Mais uma vez Tyrion pede um julgamento por combate que o seu campeão, o Príncipe Oberyn Martell de Dorne, quase que vence, mas no fim, quando Tyrion parece condenado, seu irmão Jaime, que nunca acreditou na culpa de Tyrion, liberta-o com a ajuda de Varys, o Senhor das Aranhas, nome dado ao chefe da espionagem do Rei.
Muito mais se passa no mundo, principalmente na Muralha, onde John Snow mete-se em grandes alhadas com os Wildlings e acaba Lord of The Night Watch.
O epílogo do livro reserva uma grande surpresa...

7 de março de 2013

A Clash of Kings

Acabei o segundo volume da saga A Song of Fire and Ice de George R. R. Martin, A Clash of Kings e devo dizer que há uma melhoria em relação ao primeiro livro. Cada vez há mais personagens a interagirem umas com as outras e as decisões que são tomadas afetam todo o mundo de Westeros. Quando o Rei Robert morre, problemas de sucessão se levantam, o que lança os Sete Reinos na guerra civil. Reis aparecem como cogumelos, tentando assegurar o Iron Throne. Joffrey Baratheon, Stannis Baratheon e Renly Baratheon, filho mais velho, irmão mais velho e irmão mais novo, respetivamente, do falecido Rei, reclamam o trono pelas suas, supostas, ligações familiares ao defunto, Robert Stark proclama-se Rei do Norte devido aos maus tratos a que o seu Pai foi submetido pelo Rei Joffrey, Balon Greyjoy proclama-se Rei das Iron Islands e ataca toda a costa Oeste do Norte.
Entretanto, na muralha, os Wildlings (humanos que se dizem livres e que vivem a Norte da muralha) estão a juntar-se sob o comando de um único homem, Mance Rayder, que se intitula Rei-para-além-da-muralha, com o objetivo de invadir o Sul, para fugir aos Others, que, definitivamente, não são humanos. John Snow é obrigado a escolhas muito difíceis, o que faz com que ele fique ainda mais maduro.
No Este, Daenerys Targaryen, após muitas peripécias, muito sofrimento e muito sacrifício, consegue chocar três ovos de dragão e começa a sua viagem com o objetivo de reconquistar Westeros.
Aria Stark, filha mais nova de Ed Stark, após ver o pai ser decapitado, tenta fugir para Norte, procurando a sua mãe, o que não vai ser nada fácil. O seu irmão, Rob Stark, o Rei do Norte para os seus vassalos, vence várias batalhas no terreno aos Lannisters. Tyrion Lannister é enviado como mão do Rei por seu pai, Tywin Lannister, para ajudar o seu sobrinho Joffrey a reinar (no fundo reinar por ele) e, apesar da oposição de Cersei, sua irmã e Rainha Regente, consegue defender a capital, Kings Landing, e destruir a frota de Stannis Baratheon, sofrendo grandes ferimentos.
Como podem ver há muito para ler e muito mais vem a caminho. A ler!

12 de janeiro de 2013

A Game of Thrones

Acabei de ler, pela segunda vez, este Game of Thrones, da série de fantasia Song of Fire and Ice, de George R. R. Martin. Desta vez fi-lo em inglês e ainda bem que o fiz porque o texto é muito melhor. A tradução portuguesa está muito bem escrita (o português é de qualidade, o ritmo de leitura muito rápido e próximo do original) mas desvia-se em estilo, uma vez que o original usa alguns termos ingleses mais arcaicos que dão um certo glamour ao texto (por exemplo: em vez de escrever "I'm going to eat my breakfast" Martin escreve "I'm going to break my fast").
Martin cria um elenco enorme de personagens, todas elas credíveis e interessantes, usando um estilo de escrita que eu chamo "à lá Dan Brown" ou seja, pequenos capítulos, que contam a história através dos olhos de uma só personagem, com personagens distantes fisicamente, deixando o acção em suspense no fim do capítulo, fazendo com que o leitor devore o livro.
A saga segue a família Stark de Winterfell pelo reino de Westeros e mais algumas personagens com importância, por outras partes do mundo.
O pai, Eddard Stark, Senhor de Winterfell (equivalente a um conde, com um largo domínio sob as suas ordens mas vassalo de um rei), a mãe, Catelyn Tully, filha mais velha do Senhor Hoster Tully de Riverrun, os filhos Robb, Bran e Rickon, as filhas Sansa e Aria, e o filho bastardo de "Ned" Stark, John Snow vêem, literalmente, a vida a andar para trás quando o Rei, Robert Baratheon (que, poucos anos antes depôs Aerys II Targaryen, porque o seu filho,  Príncipe Rhaegar Targaryen, raptou a irmã de "Ned", Lyanna, que estava prometida a Robert), "convida" "Ned" para ser a Mão do Rei (aquele que governa quando o Rei, por alguma razão, não o pode fazer. Como Robert preferia caçar e beber, a Mão do Rei, efectivamente, Reina). Eddard tenta recusar a grande honra mas no fim Robert é Rei e "Ned" aceita. A partir daqui os Starks confrontam-se com as intrigas e jogos de corte entre várias Casas e alguns opositores singulares, correndo, todos os Starks, perigo de vida.
Duas personagens importantes do próximo livro, Daenerys Targaryen e John Snow, começam a crescer neste Game of Thrones, mas irei dar conta delas noutro livro.
E o mais impressionante é que, para um livro de fantasia, só há sugestões da mesma. Dragões e mortos vivos são lendas de um passado não muito distante (cerca de cento e cinquenta anos) e aquilo que nos prende à história são os jogos de corte que não são tão fantasistas assim.
Pouca fantasia é melhor do que esta.

16 de dezembro de 2012

One Flew Over the Cuckoo's Nest

É sempre difícil ler um livro que deu origem a um filme da minha preferência. Voando Sobre um Ninho de Cucos é um dos melhores filmes para se sentir o pulso dos anos sessenta (a par com o Easy Rider ou o Woodstock) e quais as mudanças que eram necessárias operar nas mentalidades. Sempre adorei o filme e a interpretação de Jack Nicholson, mas tenho que admitir que o livro é muito superior.
Chief Bromden, o índio, supostamente, surdo mudo, narra a história pelo meio das suas alucinações (Bromden é, definitivamente, esquizofrénico), contando como McMurphy vai perturbando as maquinações da Combine (entidade que, na cabeça Bromden, controla toda a humanidade, através de máquinas e seres já alterados, como a enfermeira Ratched) através do seu confronto com a rotina do hospital. McMurphy acredita que o seu tempo encarcerado será mais fácil num hospital psiquiátrico do que num campo de trabalhos forçados mas rapidamente começa a mudar de ideias, principalmente quando descobre que pode ficar internado indefinidamente. Aos poucos o seu espírito livre e indomável entra em rota de colisão com a enfermeira Ratched, que no fundo representa o sistema em que estamos inseridos, e, aos poucos, vai desafiando-a e opondo-se, como pode, ao esquema de humilhação e domínio que o hospital, e em particular Ratched, impõe aos pacientes.
No fim, McMurphy tanto perde como ganha o confronto, numa das mais belas histórias sobre o que é que nos faz realmente livres.

23 de novembro de 2012

The Electric Kool-Aid Acid Test

Tom Wolfe decidiu sair de Nova York e ir até São Francisco para saber exatamente o que andavam a preparar os Merry Pranksters, uma comuna artística psicadélica, cujo o guru era Ken Kesey.
Ken ganhou uma bolsa para um curso de pós graduação em escrita criativa, foi um desportista quase olímpico (uma lesão no ombro impediu-o de ir aos Jogos) e decidiu fazer parte do projeto da C.I.A., MKUltra, em que os voluntários eram expostos às mais mais variadas drogas psicadélicas (L.S.D., D.M.T., etc) por forma a estudar os efeitos das mesmas no ser humano. Apesar da C.I.A. ter como objetivo fazer o Super Soldado (seguindo a ideia alemã), os resultados foram fracos nesse campo, mas serviram bem a C.I.A. na elaboração do seu manual de interrogatório/tortura. Já a Ken, as drogas psicadélicas, serviram para abrir o espírito de tal maneira que este decide arranjar um part time no turno noturno de uma instituição psiquiátrica para observar os pacientes e ter acesso à reserva de L.S.D. do hospital. Desta "visita de estudo" surge a obra prima, Voando Sobre um Ninho de Cucos, (irei falar dele proximamente), que catapulta o jovem Kesey para o estrelato. Kesey compra então uma quinta em La Honda, perto de São Francisco, onde se começam a juntar os seus amigos e mais alguns desconhecidos, formando uma comuna ad hoc em que as pessoas eram encorajadas a expandir a sua mente, especialmente com o uso de L.S.D. O livro também descreve as duas viagens de autocarro (o Further) a Nova York e ao México com Neal Cassady, herói da Beat Generation, ao volante.
Tom Wolfe é um grande artista porque consegue com a sua escrita toda a loucura e desconexão de uma trip de ácido, mas ao mesmo tempo manter o leitor na história através de um fio condutor que deve tudo ao jornalismo, como uma crónica dos eventos de um manicómio. A escrita de Tom Wolfe faz-me lembrar o Gonzo Journalism de um contemporâneo seu, Hunter S. Thompson. Um grande livro em que mostra a ascensão e queda do movimento hippie, vista por dentro.

8 de novembro de 2012

Kindle

Este post é um bocadinho diferente dos outros. Adquiri um Kindle da Amazon e, apesar de achar que nada substitui o cheiro da cola de um livro novo, estou rendido! Que aparelho fantástico! Do tamanho de um livro de bolso (dos ingleses) e mais leve que a grande maioria (apenas cento e setenta gramas!!!) é muito fácil usar o Kindle em uma só mão. Com os botões de mudança de página convenientemente localizados para serem acedidos com os polegares (tanto para destros como para canhotos) até em andamento é fácil de usar.
Mas o mais importante é o écran E-Ink Pearl. Nunca vi nada tão parecido com o papel. Apesar de achar que não aguento oito horas a ler o Kindle como aguento a ler um livro, o cansaço é mínimo e a fonte totalmente escalável o que permite pessoas com dificuldades de leitura encontrar o tamanho de letra adequado.
Por último, qualquer título que esteja em PDF pode ser lido no Kindle. Basta enviar um E-mail para um endereço específico, oferecido pela Amazon, com o PDF como anexo. Quando o PDF estiver convertido para o formato Kindle, este é enviado automaticamente para o nosso aparelho, se este estiver ao pé de um spot Wi-Fi. O Kindle também permite trocar de livros entre os que estão no aparelho e os que estão no espaço na Nuvem oferecido pela Amazon sem qualquer problema, aumentando efetivamente o número máximo de livros que se podem transportar (que só no Kindle são cerca de 1400).
Resumindo: uma ótima prenda de natal para uma pessoa que gosta de ler em qualquer lado, como eu.

8 de outubro de 2012

Time Out Rome

Bendito Time Out. Já para Barcelona tinha escolhido o livro desta série e ainda bem que o voltei a fazer. É que além de a informação estar toda certa e os mapas serem bem legíveis, a organização do livro está perfeita. Roma foi dividida por zonas históricas e cada uma delas tem entradas com os pontos de interesse. Até aqui tudo normal, igual a tantos outros guias. O que me agradou especialmente foram as dicas dadas pelos autores dos textos. Por exemplo: "não compre o bilhete no Coliseu que as filas são muito grandes, compre na entrada do Palatino, que não tem lá ninguém e o bilhete dá depois para o Coliseu" ou então "marque a entrada do Museu do Vaticano para quarta feira às 10:00 que é a altura que o Papa esta a falar na Praça de S. Pedro".
O resultado foi poupar umas horas valentes em filas. No Vaticano podia ter chegado lá sem bilhete (cheguei às 10:30) que não demorava mais de vinte minutos. No Coliseu foi só entrar, enquanto que o resto do povo esperava uma boa horinha.
Recomendo a todos os guias Time Out. São "da cena" sem serem demasiado "freakolé".

21 de agosto de 2012

O Padrinho

A trilogia "The Godfather", de  Coppola, é uma das obras primas do cinema. Quando comecei a ler o livro estava com receio que, de alguma forma, o filme perdesse um pouco do seu brilho. Estava totalmente enganado uma vez que o filme é fiel ao livro, com uma precisão de detalhe incrível. Para isso contribuiu, sem dúvida, a participação de Puzo na elaboração com Coppola da adaptação do argumento.
Claro que no livro algumas personagens são mais desenvolvidas e assim aparecem pequenas side stories, não incluídas no filme, que dão ainda mais riqueza a todo o universo de Puzo.
Puzo é um excelente escritor, com um sentido de ritmo fantástico, que nos conduz pela história de uma família emigrante na América. Se mudarmos o nome Corleone para Rockefeller, ou outro qualquer, acabamos por verificar que este livro não conta a história de uma família mafiosa mas sim a história da América com o seus fluxos de imigrantes (Italianos, Irlandeses, Polacos, Russos, Hispânicos, etc) que fazem a grandeza da América (apesar de serem sempre perseguidos e humilhados).
Um excelente livro para se ler nas férias (li em dois dias apenas), mesmo que não se goste da temática dos gangsters, porque se fica a conhecer, mais um pouco, como foi construido esse grande país (NOT!!!), os Estados Unidos.

14 de agosto de 2012

The Shock Doctrine

Naomi Klein tem as suas origens numa família com pedigree activista: os pais mudaram-se para o Canadá em 67, por causa das suas convicções contra a guerra do Vietname. A mãe faz documentários e o pai é médico membro da Physicians for Social Responsibility, uma organização médica que se dedica a alertar e esclarecer o grande público acerca dos efeitos nocivos do nuclear e das toxinas no corpo humano. Já os avós paternos tinham-se oposto ao pacto Molotov-Ribbentrop e abandonado o comunismo em 1956. O avô paterno, durante a greve dos animadores da Disney, foi despedido e viu-se forçado a trabalhar na estiva.
Apesar de toda esta genealogia de esquerda (ou talvez por isso mesmo), Klein passou os seus anos de adolescente fechada em centros comerciais, obcecada com roupas de marca. Sentia-se mal por ter uma mãe tão publicamente feminista.
A sua consciência política foi despertada por dois eventos: a doença grave de sua mãe aos 17 e um massacre contra estudantes femininas na École Polytechnique, em Montreal.
Mas agora o livro. Klein começa por introduzir duas personagens: Milton Friedman , um economista, e Ewen Cameron, um médico psiquiatra.
O que é que têm em comum um economista e um psiquiatra?
Ewen Cameron é famoso pela sua participação no projeto da CIA, MK-ULTRA, no qual se estudava como alterar o comportamento do ser humano, usando recursos como as drogas (sobretudo LSD), privação sensorial, violações verbais e físicas e, sobretudo, tortura. Cameron achava que se devia "limpar" a mente de um paciente com problemas (às vezes tão simples como uma depressão pós-parto) para poder começar de novo. Como tal é impossível, Cameron aplicou os tratamentos com mais intensidade, com especial ênfase para os electrochoques, o seu favorito, em alguns pacientes com voltagens quarenta vezes superiores aos valores máximos recomendados por outros médicos da altura. Apesar de falhar com todos os seus pacientes, deixando-os a todos pior do que estavam antes dos tratamentos (alguns pacientes regrediram ao ponto de confundirem os médicos com os pais ou não serem capazes de fazer as suas necessidades fisiológicas), a C.I.A. utilizou os seus estudos para elaborar o seu programa de tortura psicológica de dois estágios (que consistia basicamente em primeiro desorientar o interrogado com privação de sono e/ou sensorial e também com humilhação de cariz sexual. Assim que o indivíduo está desorientado passa-se a submetê-lo a danos autoinfligidos, como por exemplo manter os braços elevados durante muito tempo, por forma a que o individuo transfira a culpa do seu sofrimento para si e fique mais receptivo ao interrogador uma vez que este pode acabar com as suas dores - muito mais bem explicado aqui), ainda há bem pouco tempo usado no Iraque. É interessante ver a ligação entre este livro e o Homens Que Matam Cabras só com o Olhar.
Milton Friedman foi um Nobel da Economia proeminente da Escola de Chicago que, nos anos cinquenta (por oposição aos Keynesianos que advogavam que o estado deve intervir na economia, escola predominante no Estados Unidos da Grande Depressão até 1973), diz que o Estado deve ter uma intervenção mínima na economia, privatizando sectores como a Educação, Saúde e grande parte do Exército. Resumindo, a única função do Estado deverá ser "(...) to protect our freedom both from enemies outside our gates and from our fellow-citizens: to preserve law and order, to enforce private contracts, to foster competitive markets" ("(...) proteger a nossa liberdade tanto dos inimigos externos como dos nossos concidadãos: preservar a lei e a ordem, garantir os contratos privados e fomentar mercados competitivos").
Estávamos no pico da Guerra Fria e esta teoria era o oposto do Comunismo vigente na altura, em que o Estado controlava tudo.
O pior é que os Poderes Económicos viram nesta teoria a maneira ideal de redireccionar os capitais que o Estado gasta na Saúde, Educação, Exército, Saneamento e vários serviços normalmente à disposição do cidadão, para os seus bolsos. Só existe um problema: o Povo. A aplicação prática desta teoria implica a perda de quase todos os direitos e regalias conquistadas, algumas à custa de sangue, pelos cidadãos.
Solução de Friedman? Os países e os povos tem que ser submetidos a um "shock treatment" ("tratamento de choque") social e económico para criar um "blank state" (alguma semelhança com os tratamentos do Ewen Cameron é pura coincidência... NOT!!!). O primeiro local em que foi experimentado este tratamento de choque? No cone sul-americano, claro está, com o apoio dos Estados Unidos às juntas militares ditatoriais, com início no Chile com o derrube de Salvador Allende por Pinochet. E quem eram os amigos económicos de Pinochet? Os Chicago Boys, claro, com Friedman à cabeça, que foi pessoalmente aconselhar Pinochet sobre como implementar as suas ideias de "mercado livre". O resultado foi uma ditadura militar que durou de 1973 a 1990.
A Escola de Chicago não ficou por aí. Brasil, Argentina, Bolívia, Estados Unidos (com Reagan), Reino Unido (com Thatcher), Polónia, Rússia, Iraque, Afeganistão, Malásia, China (o evento na Praça Tian'anmen aconteceu exactamente quando o Comité Central estava a aplicar as medidas de Friedman que, meses antes, tinha visitado a China), Nova Orleães e Sri Lanka.
Claro que, com o passar dos anos, os métodos de implementação foram-se alterando à medida que os direitos humanos iam revelando as atrocidades cometidas nos países sob o jugo dos ditadores. Alguns exemplos:
No caso do Iraque (um dos países árabes mais desenvolvidos, com maior grau de instrução) invadiram, destruíram e depois emprestaram dinheiro para a reconstrução com a condição de o Estado iraquiano alienar todo o seu património (leia-se petróleo), implementar um sistema de taxa de imposto única (15%) e abrir as portas ao investimento estrangeiro. No caso da Rússia correu um pouco mal para os investidores estrangeiros porque os oligarcas russos ficaram com tudo para eles (o mesmo se passou na China). No caso de Nova Orleães (uma das regiões mais pobres do Estados Unidos) foi preciso o furacão Katrina deixar os cidadãos em estado de choque para o governo americano poder acabar com o ensino público (conselho dado pelo próprio Friedman na última publicação em vida). No Sri Lanka, após o Tsunami que abalou a Ásia, o FMI exigiu, para emprestar dinheiro, que as praias fossem vendidas às grandes cadeias de hotéis de luxo, vedando o acesso às praias à população de pescadores desalojadas. Quando os pescadores saíram do choque do Tsunami, os seus locais de nascimento, as suas raízes, estavam vedados e com guardas armados.
Friedman disse que, no evento de uma crise, real ou percecionada, bastava as suas ideias estarem "perdidas pelo chão" para estas serem "apanhadas". O facto de o FMI e o Banco Mundial estarem cheios de ex-alunos seus ajuda a forçar as medidas quando os países estão mais fragilizados e o povo mais desatento devido a problemas mais graves e prementes.
Os casos de Portugal, Grécia, Espanha, Itália, não vos fazem lembrar nada? Primeiro as agências de rating (americanas e cheias de Friedmanites) dizem que os países não valem nada (crise verdadeira ou percecionada?) e depois o FMI empresta dinheiro sob condições draconianas que implicam a destruição de todo o património do estado e do estado social.
Resumindo, Klein diz que "(...) what we have been living for three decades is frontier capitalism, with the frontier constantly shifting location from crisis to crisis, moving on as soon as the law catches up (...)" ("(...) o que temos vivido nas últimas três décadas é um capitalismo de fronteira, com a fronteira a ser constantemente mudada de uma crise para outra, partindo assim que a Lei chega (...)") e que "(...) Under Chicago School economics, the state acts as the colonial frontier, which corporate conquistadors pillage with the same ruthless determination and energy as their predecessors showed when they hauled home the gold and silver of the Andes (...)" ("(...) Segundo a teoria económica da Escola de Chicago, o Estado age como a fronteira colonial, em que as Corporações Conquistadoras pilham com a mesma implacável determinação e energia que os seus predecessores mostraram quando rapinaram o ouro e a prata dos Andes (...)").
Por favor abram os olhos!!!

4 de agosto de 2012

Dia D

Que seca. Não me interpretem mal: até li bem depressa este calhamaço de seiscentas e cinco páginas e uns trocos. Mas o conteúdo, que maçudo... O Montgomery isto, Patton aquilo. As intrigazinhas de poder entre ingleses e americanos, exércitos e força aérea e os homens a morrerem no terreno. Quero lá saber que a "1ª Divisão Blindada polaca recebeu ordens para avançar sobre Chambois" ou que "a 90ª Divisão americana, (...) teve uma desagradável surpresa quando a divisão Das Reich e o que restava da 17ª Divisão Panzergrenadier SS atacou subitamente (...)".
Antony Beevor até faz um bom trabalho ao disfarçar uma série de dados fastidioso com histórias pessoais de soldados, algumas bem tocantes como "(...) ele gritou por um médico. Um homem do corpo médico avançou rapidamente para o ajudar e também foi alvejado. O socorrista ficou junto ao soldado e ambos ficaram a gritar até morrerem (...)" ou "(...) por outras palavras, nós éramos suficientemente bons para ficar dentro do cerco. As SS olham pelos seus (...)".
Tanto quanto eu posso afirmar o conteúdo é correcto (não sendo uma autoridade) mas eu prefiro um livro sobre o que se passou com os soldados no terreno a um livro histórico sobre os macro acontecimentos.