21 de outubro de 2011
20 de outubro de 2011
The Complete Chronicles of Conan
UFA!!! Finalmente acabei esta Bíblia de novecentas e vinte e cinco páginas. Com todos os contos e novelas do Conan reunidos num só volume (se preferirem em português podem comprar na Saída de Emergência mas ainda não estão traduzidas todas as peças), só o peso mostra bem o quanto prolífico era Robert E. Howard (que além do Conan ainda tem outros heróis como Solomon Kane ou King Kull) antes de suicidar aos 30 anos devido ao stress provocado pelo coma da sua mãe.
Texano de nascimento, Howard foi vítima de bulling na sua infância o que, sem dúvida, o levou a criar um herói como o Conan. Sem dúvida, num ponto ou outro da nossa juventude desejamos ter a força ciclópica ou a agilidade felina de Conan, para já não falar no seu magnetismo natural para as mulheres...
Howard escreveu muito mas escreveu bem! A ação salta para fora das páginas de tão vívidas que são as imagens dadas pelas palavras do autor. Sejam descrições de uma batalha, de um corpo de uma jovem (que certamente vai ser salva por Conan) ou até dos movimentos do herói tudo se constrói na imaginação do leitor como se de um filme se tratasse.
Ao contrário da crença popular (provocada pelos filmes com o Arnold Schwarzenegger) Conan é extremamente inteligente, conhecedor de outras civilizações, de outras línguas faladas e escritas, sabe navegar, construir armas de cerco, cavalgar, escalar, etc. A expressão "Bárbaro" surge pelo facto de Conan, ao contrário dos homens ditos "civilizados", está em total sintonia com a natureza e com o seu corpo. Conan nasceu no meio da batalha e pelo aço vai abrindo caminho até reinar a Aquilonia, depois de ter sido mercenário, ladrão, pirata, explorador, etc.
Qualquer pessoa que goste de fantasia deve ler o Conan, pela qualidade dos textos e pela importância histórica que teve para o género, mas não façam como eu e leiam tudo de uma vez. Ao fim de 500 ou 600 páginas começa a fartar. Um bom livro para ter à cabeceira e ir lendo uma aventura de cada vez ao longo de muitos dias...
Texano de nascimento, Howard foi vítima de bulling na sua infância o que, sem dúvida, o levou a criar um herói como o Conan. Sem dúvida, num ponto ou outro da nossa juventude desejamos ter a força ciclópica ou a agilidade felina de Conan, para já não falar no seu magnetismo natural para as mulheres...
Howard escreveu muito mas escreveu bem! A ação salta para fora das páginas de tão vívidas que são as imagens dadas pelas palavras do autor. Sejam descrições de uma batalha, de um corpo de uma jovem (que certamente vai ser salva por Conan) ou até dos movimentos do herói tudo se constrói na imaginação do leitor como se de um filme se tratasse.
Ao contrário da crença popular (provocada pelos filmes com o Arnold Schwarzenegger) Conan é extremamente inteligente, conhecedor de outras civilizações, de outras línguas faladas e escritas, sabe navegar, construir armas de cerco, cavalgar, escalar, etc. A expressão "Bárbaro" surge pelo facto de Conan, ao contrário dos homens ditos "civilizados", está em total sintonia com a natureza e com o seu corpo. Conan nasceu no meio da batalha e pelo aço vai abrindo caminho até reinar a Aquilonia, depois de ter sido mercenário, ladrão, pirata, explorador, etc.
Qualquer pessoa que goste de fantasia deve ler o Conan, pela qualidade dos textos e pela importância histórica que teve para o género, mas não façam como eu e leiam tudo de uma vez. Ao fim de 500 ou 600 páginas começa a fartar. Um bom livro para ter à cabeceira e ir lendo uma aventura de cada vez ao longo de muitos dias...
19 de setembro de 2011
Por Um Fio
Joe Connelly faz pleno uso da sua experiência profissional (foi para-médico durante cerca de 10 anos) para escrever este livro, tanto no conteúdo, como na sua forma. No conteúdo, porque as descrições das situações de emergência são fabulosas e às vezes tão surreais que só podem ser verídicas. Na forma, porque não há qualquer dúvida que este livro foi escrito por alguém que trata o stress por tu.
As coisas que acontecem a Frank, personagem principal, levam à reflexão por parte do leitor sobre assuntos muito importantes para a humanidade como a solidão, a pobreza, a miséria humana ou a morte, e fazem que que este esteja à beira da loucura, falando com os fantasmas das pessoas que "matou" (ou melhor: não consegui salvar). O título original do livro é Bring out the dead, pregão da idade média do cangalheiro, imortalizado pelos Monty Python no magnífico Quest for the Holy Grail, o que faz muito mais sentido uma vez que todos os pacientes que Frank assiste no livro morrem, excepto um traficante de droga, que talvez merecesse morrer.
Por Um Fio deu origem a um filme homónimo de Martin Scorsese, que eu aconselho vivamente a ver, que segue, de forma bastante fiel, o conteúdo do livro. Quanto à forma não podiam ser mais dispares: Scorcese filma com planos lentos, a banda sonora, com o tema principal de Van Morrison, T. B. Sheets, arrasta-se pelas ruas de Nova York tal e qual como a ambulância velha com que Frank e os seus parceiros patrulham a noite dos drogados, prostitutas, traficantes, bêbados e todos aqueles que a Big Apple rejeita. Quanto ao livro, este é escrito de forma vertiginosa (lê-se num ápice), segundo a perspetiva de um homem acabado, a caminho da loucura induzida pelo stress, que bebe álcool e café para se acalmar. Não é, sem dúvida, o típico bêbado que se arrasta e vomita mas um homem que apesar de beber não consegue por de lado a enormidade da sua tarefa e os sonhos de salvar o mundo, uma pessoa de cada vez, vão dando lugar à certeza de que o mundo não pode nem quer ser salvo.
As coisas que acontecem a Frank, personagem principal, levam à reflexão por parte do leitor sobre assuntos muito importantes para a humanidade como a solidão, a pobreza, a miséria humana ou a morte, e fazem que que este esteja à beira da loucura, falando com os fantasmas das pessoas que "matou" (ou melhor: não consegui salvar). O título original do livro é Bring out the dead, pregão da idade média do cangalheiro, imortalizado pelos Monty Python no magnífico Quest for the Holy Grail, o que faz muito mais sentido uma vez que todos os pacientes que Frank assiste no livro morrem, excepto um traficante de droga, que talvez merecesse morrer.
Por Um Fio deu origem a um filme homónimo de Martin Scorsese, que eu aconselho vivamente a ver, que segue, de forma bastante fiel, o conteúdo do livro. Quanto à forma não podiam ser mais dispares: Scorcese filma com planos lentos, a banda sonora, com o tema principal de Van Morrison, T. B. Sheets, arrasta-se pelas ruas de Nova York tal e qual como a ambulância velha com que Frank e os seus parceiros patrulham a noite dos drogados, prostitutas, traficantes, bêbados e todos aqueles que a Big Apple rejeita. Quanto ao livro, este é escrito de forma vertiginosa (lê-se num ápice), segundo a perspetiva de um homem acabado, a caminho da loucura induzida pelo stress, que bebe álcool e café para se acalmar. Não é, sem dúvida, o típico bêbado que se arrasta e vomita mas um homem que apesar de beber não consegue por de lado a enormidade da sua tarefa e os sonhos de salvar o mundo, uma pessoa de cada vez, vão dando lugar à certeza de que o mundo não pode nem quer ser salvo.
8 de setembro de 2011
As Cinco Batalhas - A Saga dos Otori
Este último livro da trilogia original começa com a ameaça dos tios de Takeo (que ficaram os lideres do clã Otori) que lhe enviam, num cesto, a cabeça de Ichiro, seu professor. Takeo conduz o seu exercito pelas montanhas por forma a evitar o exercito Otori e dirige-se a Maruyama, terras herdadas por Kaede. Rapidamente Takeo recupera o território e começa a pensar em Hagi, cidade principal Otori, e chega á conclusão que a melhor maneira de a conquistar será por mar. Assim, dirige-se para Norte e encontra um amigo do tempo que passou em Hagi, Terada Fumio, cuja família de pescadores e comerciantes tornou-se pirata, e forma com o pai dele uma aliança que levará o seu exercito até Hagi pelo mar.
Entretanto Kaede, descobre que o seu vassalo de Shirakawa, Shoji, entregou como reféns as suas irmãs ao Senhor Fujiwara. Irada e contra todos os conselhos, Kaede vai exigir a libertação das suas irmãs a Fujiwara, mas cai numa armadilha sendo raptada e as suas irmãs entregues ao Senhor Arai. Takeo, quando volta do seu encontro com os Terada fica furioso e tenta atacar o Senhor Fujiwara mas encontra o exército de Arai pelo caminho, retirando para norte a fim de poupar os seus homens. Não vou contar mais porque o final tem uma grande volta e não vale a pena estragar tudo.
Qualquer das formas há uma palavra que descreve na perfeição a Saga dos Otori: Fantástica!!!
Entretanto Kaede, descobre que o seu vassalo de Shirakawa, Shoji, entregou como reféns as suas irmãs ao Senhor Fujiwara. Irada e contra todos os conselhos, Kaede vai exigir a libertação das suas irmãs a Fujiwara, mas cai numa armadilha sendo raptada e as suas irmãs entregues ao Senhor Arai. Takeo, quando volta do seu encontro com os Terada fica furioso e tenta atacar o Senhor Fujiwara mas encontra o exército de Arai pelo caminho, retirando para norte a fim de poupar os seus homens. Não vou contar mais porque o final tem uma grande volta e não vale a pena estragar tudo.
Qualquer das formas há uma palavra que descreve na perfeição a Saga dos Otori: Fantástica!!!
7 de setembro de 2011
O Desafio do Guerreiro - A Saga dos Otori
No início deste segundo volume da Saga original, Kaede segue em direção a casa, acompanhada de Shizuka, sua aia, membro da Tribo e prima de Takeo. Takeo, no volume anterior, por forma a honrar Shigeru, compromete-se com a Tribo a seguir o seu treino (que até aqui estava a cargo de Kenji, amigo de Shigeru e chefe de uma das famílias mais importante da Tribo, os Muto) sob a alçada dos implacáveis Kikuta (a outra família importante da Tribo) e assim atraiçoa uma aliança que fez com Arai, novo senhor da guerra e novo líder dos Três Países. Arai fica furioso e persegue Takeo enquanto este segue com Akio e Yuki (filha de Kenji) para uma aldeia Kikuta por forma a iniciar o seu treino. Entretanto, Kaede chega ao seu domínio, Shirakawa, apenas para o encontrar negligenciado pelo seu pai, cuja sanidade mental está por um fio. Kaede decide tomar as rédeas do seu domínio e da educação das suas irmãs, apesar do seu género. Para isso faz um pacto com um nobre da corte, Fujiwara, que a assiste em troca dos seus segredos. O tempo passa e Takeo mostra-se impaciente com o seu treino na Tribo e esta, exasperada com a sua desobediência, envia-o para uma missão "da última oportunidade". Takeo desobedece uma última vez e foge para Terayama, um mosteiro considerado o centro espiritual dos Três Países. A caminho Takeo é levada a uma mulher cega que lhe diz uma profecia que o irá condicionar para o resto da sua vida: "As tuas terras estender-se-ão de mar a mar mas a carnificina é o preço da paz. Custar-te-á cinco batalhas. Vencerás quatro e perderás uma. Os mortos serão incontáveis, mas tu estás a salvo da morte, exceto às mãos do teu próprio filho".
Muito mais há para descobrir neste magnífico livro e no fim há uma supresa para os fãs destes dois jovens cujos destinos estão entrelaçados.
Muito mais há para descobrir neste magnífico livro e no fim há uma supresa para os fãs destes dois jovens cujos destinos estão entrelaçados.
29 de agosto de 2011
Confiança e Medo na Cidade
Zygmunt Bauman, sociólogo polaco radicado em Inglaterra, vai ao osso neste livro, relacionando a arquitetura e a organização das cidades, em que cada vez mais as pessoas vivem ou querem viver em bunkers (condomínios fechados ou mansões repletas de segurança), com a cultura do medo em que vivemos hoje em dia. Bauman afirma que o mal que corrói o mundo, nesta era de individualismo, é a mixofobia, o medo de lidar com pessoas de culturas e meios diferentes dos nossos, e é na cidade que esse problema se agudiza. Se nos anos 70 as pessoas que chegavam à cidade eram as pessoas do campo, mas com a mesma nacionalidade e, mais ou menos, com os mesmo costumes; agora quem chega são hordas de estrangeiros que trazem consigo novas línguas e culturas que nos são estranhas e, como tudo o que é estranho, provocam-nos medo. Cada vez mais os que podem se isolam do mundo exterior através de condomínios fechados, SUV, colégios particulares, etc propagando assim este ciclo vicioso.
Contudo, é também na cidade que se encontra a solução - a mixofilia (obtenção de prazer através da experiência de convivência com estranhos). Se há pessoas que se fecham, outras há que procuram novos horizontes na diversidade que a cidade propõe. Bauman afirma que a solução dos problemas da modernidade passa pela promoção da mixofilia, sendo que os espaços públicos da cidade (as praças, os jardins, as ruas) são o local ideal para o fazer, visto que é nestes espaços que os estranhos se cruzam e podem partilhar as suas experiências, deixando de ser estranhos.
Em Lisboa parece-me que estamos a caminhar na mesma direção das grandes cidades do mundo. O bairrismo está a desaparecer, levando consigo os tempos em que todos os vizinhos se conheciam e os miúdos podiam jogar à bola na rua. As filosofias dos subúrbios (o total desconhecimento de quem mora no prédio em que se habita, quanto mais no bairro circundante, pessoas que partilham o elevador sem sequer dizer bom dia) avançam para dentro das cidades à medida que o dinheiro vai chegando para isso...
Recomendo, vivamente, a leitura deste pequeno grande livro.
Contudo, é também na cidade que se encontra a solução - a mixofilia (obtenção de prazer através da experiência de convivência com estranhos). Se há pessoas que se fecham, outras há que procuram novos horizontes na diversidade que a cidade propõe. Bauman afirma que a solução dos problemas da modernidade passa pela promoção da mixofilia, sendo que os espaços públicos da cidade (as praças, os jardins, as ruas) são o local ideal para o fazer, visto que é nestes espaços que os estranhos se cruzam e podem partilhar as suas experiências, deixando de ser estranhos.
Em Lisboa parece-me que estamos a caminhar na mesma direção das grandes cidades do mundo. O bairrismo está a desaparecer, levando consigo os tempos em que todos os vizinhos se conheciam e os miúdos podiam jogar à bola na rua. As filosofias dos subúrbios (o total desconhecimento de quem mora no prédio em que se habita, quanto mais no bairro circundante, pessoas que partilham o elevador sem sequer dizer bom dia) avançam para dentro das cidades à medida que o dinheiro vai chegando para isso...
Recomendo, vivamente, a leitura deste pequeno grande livro.
17 de agosto de 2011
A Tribo dos Mágicos - A Saga dos Otori
A Tribo dos Mágicos (primeiro livro da trilogia original da Saga dos Otori) começa por contar a história de Takeo, neto de Shigemori, sobrinho de Shigeru, e de Kaede, herdeira de Shirakawa e Maruyama (último domínio que herda pela linha maternal). Tomasu (o nome de nascimento de Takeo) vive uma vida descansada numa aldeia escondida e seguindo os ensinamentos dos Ocultos. Kaede é refém dos Senhores Noguchi, para garantir a fidelidade do Senhor Shirakawa ao Senhor Iida Sadamu, que provocou a desgraça dos Otori através, precisamente, da traição dos Noguchi, vassalos dos Otori. A história começa com dois eventos sangrentos: toda a aldeia de Tomasu/Takeo é chacinada por Iida Sadamu, que persegue os Ocultos, e Kaede mata um homem, soldado dos Noguchi, que a tenta violar. A partir daqui, desenrola-se mais uma vez uma história lindíssima, em que a filosofia japonesa é levada muito a sério (honra, família, tradição) e no qual as personagens são constantemente confrontadas com escolhas dificílimas nas quais normalmente se encontram, em polos opostos, o Amor e a Honra. Por ora Takeo e Kaede, apesar de se amarem loucamente tem que seguir caminhos diferentes e desesperados, não acreditando que o destino os volte a unir.
13 de julho de 2011
O Fio do Destino - A Saga dos Otori
A Saga dos Otori é uma das mais belas sagas de fantasia que eu conheço. Tenho que admitir que sou totalmente parcial a favor desta saga que agora tem cinco livros. Como é normal a história passa-se num país inventado - o País do Meio - mas em vez de a fantasia ser baseada na mitologia Anglo-Celta ela é baseada na mitologia Japonesa e isso faz toda a diferença. À sociedade rígida e estratificada Japonesa (samurais, camponeses, lutas entre feudos, um imperador, que o é só no nome, e até um Deus novo que começa a ganhar crentes entre as classes mais baixas, seguindo fielmente a história do Japão, aquando da chegada dos Portugueses), Lian Hearn, pseudónimo de Gillian Rubinstein, junta a Tribo, uma seita de seres humanos que tem poderes como audição e olfato super apurados, e até invisibilidade. Neste cenário surge Otori Shigeru, herdeiro do Clã Otori, lideres prósperos e justos do País do Meio, jovem que anseia por agradar ao pai e que se rege, à risca, pelo Bushido, o Código dos Samurais. Já no país vizinho, o País do Leste, Iida Sadamu, move-se apenas pela sede de poder, não se coibindo de matar e torturar para obter os seus intentos. Sadamu, herdeiro dos Tohan, espicaça os Otori nas suas fronteiras, levando Shigeru a dar-lhe batalha. Sadamu ganha a batalha, com a traição de vários vassalos dos Otori, e Shigeru tem que se submeter aos seus tios e na sombra fazer tudo para conseguir a sua vingança. O tempo passa e Shigeru faz de conta que é lavrador (melhorando em muito a produção dos Otori), ao mesmo tempo que percorre as suas terras recolhendo informações sobre a Tribo e sobre o estado de descontentamento do seu povo. Tudo parece perdido quando o irmão de Shigeru, Otori Takeshi, é morto por guerreiros Tohan mas Shigeru consegue achar a solução para a sua vingança na remota aldeia de Mino...
4 de julho de 2011
Manual das Finanças Pessoais
Quando comprei este livro na feira não estava à espera de gostar tanto. Os autores, João Pessoa Jorge, Licenciado em Gestão, e Ricardo Ferreira, Licenciado em Economia, escrevem de uma forma simples e clara e desmistificam as finanças para o comum dos mortais. O livro segue uma ordem lógica, começando primeiro pelo controlo de gastos, pelo desendividamento, pelo investimento até a independência financeira. Quem ainda acha que investir na bolsa é reservado apenas a grandes carolas da alta finança tem que ler este manual.
Muitas das técnicas de controlo das despesas eu já sabia (sendo a mais importante o balanço orçamental, ou seja, anotar todas as despesas e todos os ganhos SEMPRE!!!. Para tal eu uso o programa GnuCash que é gratuito e tem todas as funções necessárias para controlar um orçamento pessoal) e muitas das questões referidas no capítulo "O negócio bancário" também. Gostei particularmente do cálculo do Salário Horário Real no qual se reduz as despesas fixas do salário líquido por forma a saber o quanto se ganha realmente por hora.
Onde o meu interesse realmente começou foi na segunda parte do livro, "Os básicos do investimento". Os conceitos básicos de risco, retorno, liquidez, etc são todos cobertos e, mais importante, como começar uma carteira de ativos (com explicação do que são esses ativos: obrigações, ações, fundos de investimento, etc) para um determinado objetivo (reforma, faculdade dos filhos, etc). Muito bom!!! Aconselho a toda a gente agora que a crise vai apertar (mais ainda...).
22 de junho de 2011
Um Mundo Sem Regras
Amin Maalouf, um autor nascido no Líbano, radicado em Paris, escreve este livro para tentar dar um pouco de luz sobre os problemas do médio oriente, problemas esses que tiveram como consequência o fanatismo islâmico. Com uma análise séria e de estilo jornalístico, com uma grande bibliografia, Maalouf segue pela história recente dos países islâmicos do médio oriente, desde a 2ª Guerra Mundial, altura em que as grandes potências colonizadoras "largaram" as suas colónias ao seu destino e todos os problemas começaram (ou talvez deva dizer, vieram à superfície) até aos dias de hoje.
Do lado negativo devo dizer que o texto dá a entender que Maalouf acredita que os atentados ligados ao terrorismo (nomeadamente o 11 de Setembro) foram efectuados servindo os interesses islâmicos e não os interesses Americanos, algo que eu acho altamente improvável senão totalmente impossível e que um jornalista avisado deveria, pelo menos, questionar...
Por fim são apontados os problemas do mundo em geral (o desregramento intelectual, económico, financeiro, climático) e apontadas soluções ("(...) Por vezes, fala-se da crise moral do nosso tempo em termos de «perda de referências» ou de «perda de sentido»; (...) Do meu ponto de vista não se trata de «reencontrar», mas de inventar. (...) Do meu ponto de vista, sair «por cima» do desregramento que afecta o mundo exige a adopção de uma escala de valores baseada no primado da cultura, direi mesmo baseado na salvação pela cultura. (...)") se bem que, apesar de verdadeiras, talvez sejam um pouco ingénuas ("(...) já não podemos permitir-nos conhecer «os outros» de maneira aproximativa, superficial, grosseira. Temos necessidade de conhecê-los com subtileza, de perto, direi mesmo na sua intimidade. O que só pode fazer-se através da sua cultura. E em primeiro lugar através da sua literatura. A intimidade de um povo é a sua literatura. (...)") e impraticáveis.
Qualquer das formas é um livro muito interessante quer por permitir aprofundar os porquês do extremismo do Islão, quer por conter algumas ideias muito interessantes e inéditas para mim (por exemplo "(...) A desconfiança que prevalece na tradição muçulmana, como na tradição protestante, em relação a uma autoridade religiosa centralizadora é perfeitamente legítima e muito democrática na sua inspiração; mas tem um efeito secundário calamitoso: sem esta insuportável autoridade centralizadora nenhum progresso é inscrito de modo irreversível. (...)".
Do lado negativo devo dizer que o texto dá a entender que Maalouf acredita que os atentados ligados ao terrorismo (nomeadamente o 11 de Setembro) foram efectuados servindo os interesses islâmicos e não os interesses Americanos, algo que eu acho altamente improvável senão totalmente impossível e que um jornalista avisado deveria, pelo menos, questionar...
Por fim são apontados os problemas do mundo em geral (o desregramento intelectual, económico, financeiro, climático) e apontadas soluções ("(...) Por vezes, fala-se da crise moral do nosso tempo em termos de «perda de referências» ou de «perda de sentido»; (...) Do meu ponto de vista não se trata de «reencontrar», mas de inventar. (...) Do meu ponto de vista, sair «por cima» do desregramento que afecta o mundo exige a adopção de uma escala de valores baseada no primado da cultura, direi mesmo baseado na salvação pela cultura. (...)") se bem que, apesar de verdadeiras, talvez sejam um pouco ingénuas ("(...) já não podemos permitir-nos conhecer «os outros» de maneira aproximativa, superficial, grosseira. Temos necessidade de conhecê-los com subtileza, de perto, direi mesmo na sua intimidade. O que só pode fazer-se através da sua cultura. E em primeiro lugar através da sua literatura. A intimidade de um povo é a sua literatura. (...)") e impraticáveis.
Qualquer das formas é um livro muito interessante quer por permitir aprofundar os porquês do extremismo do Islão, quer por conter algumas ideias muito interessantes e inéditas para mim (por exemplo "(...) A desconfiança que prevalece na tradição muçulmana, como na tradição protestante, em relação a uma autoridade religiosa centralizadora é perfeitamente legítima e muito democrática na sua inspiração; mas tem um efeito secundário calamitoso: sem esta insuportável autoridade centralizadora nenhum progresso é inscrito de modo irreversível. (...)".
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