7 de setembro de 2011

O Desafio do Guerreiro - A Saga dos Otori

No início deste segundo volume da Saga original, Kaede segue em direção a casa, acompanhada de Shizuka, sua aia, membro da Tribo e prima de Takeo. Takeo, no volume anterior, por forma a honrar Shigeru, compromete-se com a Tribo a seguir o seu treino (que até aqui estava a cargo de Kenji, amigo de Shigeru e chefe de uma das famílias mais importante da Tribo, os Muto) sob a alçada dos implacáveis Kikuta (a outra família importante da Tribo) e assim atraiçoa uma aliança que fez com Arai, novo senhor da guerra e novo líder dos Três Países. Arai fica furioso e persegue Takeo enquanto este segue com Akio e Yuki (filha de Kenji) para uma aldeia Kikuta por forma a iniciar o seu treino. Entretanto, Kaede chega ao seu domínio, Shirakawa, apenas para o encontrar negligenciado pelo seu pai, cuja sanidade mental está por um fio. Kaede decide tomar as rédeas do seu domínio e da educação das suas irmãs, apesar do seu género. Para isso faz um pacto com um nobre da corte, Fujiwara, que a assiste em troca dos seus segredos. O tempo passa e Takeo mostra-se impaciente com o seu treino na Tribo e esta, exasperada com a sua desobediência, envia-o para uma missão "da última oportunidade". Takeo desobedece uma última vez e foge para Terayama, um mosteiro considerado o centro espiritual dos Três Países. A caminho Takeo é levada a uma mulher cega que lhe diz uma profecia que o irá condicionar para o resto da sua vida: "As tuas terras estender-se-ão de mar a mar mas a carnificina é o preço da paz. Custar-te-á cinco batalhas. Vencerás quatro e perderás uma. Os mortos serão incontáveis, mas tu estás a salvo da morte, exceto às mãos do teu próprio filho".
Muito mais há para descobrir neste magnífico livro e no fim há uma supresa para os fãs destes dois jovens cujos destinos estão entrelaçados.

29 de agosto de 2011

Confiança e Medo na Cidade

Zygmunt Bauman, sociólogo polaco radicado em Inglaterra, vai ao osso neste livro, relacionando a arquitetura e a organização das cidades, em que cada vez mais as pessoas vivem ou querem viver em bunkers (condomínios fechados ou mansões repletas de segurança), com a cultura do medo em que vivemos hoje em dia. Bauman afirma que o mal que corrói o mundo, nesta era de individualismo, é a mixofobia, o medo de lidar com pessoas de culturas e meios diferentes dos nossos, e é na cidade que esse problema se agudiza. Se nos anos 70 as pessoas que chegavam à cidade eram as pessoas do campo, mas com a mesma nacionalidade e, mais ou menos, com os mesmo costumes; agora quem chega são hordas de estrangeiros que trazem consigo novas línguas e culturas que nos são estranhas e, como tudo o que é estranho, provocam-nos medo. Cada vez mais os que podem se isolam do mundo exterior através de condomínios fechados, SUV, colégios particulares, etc propagando assim este ciclo vicioso.
Contudo, é também na cidade que se encontra a solução - a mixofilia (obtenção de prazer através da experiência  de convivência com estranhos). Se há pessoas que se fecham, outras há que procuram novos horizontes na diversidade que a cidade propõe. Bauman afirma que a solução dos problemas da modernidade passa pela promoção da mixofilia, sendo que os espaços públicos da cidade (as praças, os jardins, as ruas) são o local ideal para o fazer, visto que é nestes espaços que os estranhos se cruzam e podem partilhar as suas experiências, deixando de ser estranhos.
Em Lisboa parece-me que estamos a caminhar na mesma direção das grandes cidades do mundo. O bairrismo está a desaparecer, levando consigo os tempos em que todos os vizinhos se conheciam e os miúdos podiam jogar à bola na rua. As filosofias dos subúrbios (o total desconhecimento de quem mora no prédio em que se habita, quanto mais no bairro circundante, pessoas que partilham o elevador sem sequer dizer bom dia) avançam para dentro das cidades à medida que o dinheiro vai chegando para isso...
Recomendo, vivamente, a leitura deste pequeno grande livro.

17 de agosto de 2011

A Tribo dos Mágicos - A Saga dos Otori

A Tribo dos Mágicos (primeiro livro da trilogia original da Saga dos Otori) começa por contar a história de Takeo, neto de Shigemori, sobrinho de Shigeru, e de Kaede, herdeira de Shirakawa e Maruyama (último domínio que herda pela linha maternal). Tomasu (o nome de nascimento de Takeo) vive uma vida descansada numa aldeia escondida e seguindo os ensinamentos dos Ocultos. Kaede é refém dos Senhores Noguchi, para garantir a fidelidade do Senhor Shirakawa ao Senhor Iida Sadamu, que provocou a desgraça dos Otori através, precisamente, da traição dos Noguchi, vassalos dos Otori. A história começa com dois eventos sangrentos: toda a aldeia de Tomasu/Takeo é chacinada por Iida Sadamu, que persegue os Ocultos, e Kaede mata um homem, soldado dos Noguchi, que a tenta violar. A partir daqui, desenrola-se mais uma vez uma história lindíssima, em que a filosofia japonesa é levada muito a sério (honra, família, tradição) e no qual as personagens são constantemente confrontadas com escolhas dificílimas nas quais normalmente se encontram, em polos opostos, o Amor e a Honra. Por ora Takeo e Kaede, apesar de se amarem loucamente tem que seguir caminhos diferentes e desesperados, não acreditando que o destino os volte a unir.

13 de julho de 2011

O Fio do Destino - A Saga dos Otori

A Saga dos Otori é uma das mais belas sagas de fantasia que eu conheço. Tenho que admitir que sou totalmente parcial a favor desta saga que agora tem cinco livros. Como é normal a história passa-se num país inventado - o País do Meio - mas em vez de a fantasia ser baseada na mitologia Anglo-Celta ela é baseada na mitologia Japonesa e isso faz toda a diferença. À sociedade rígida e estratificada Japonesa (samurais, camponeses, lutas entre feudos, um imperador, que o é só no nome, e até um Deus novo que começa a ganhar crentes entre as classes mais baixas, seguindo fielmente a história do Japão, aquando da chegada dos Portugueses), Lian Hearn, pseudónimo de Gillian Rubinstein, junta a Tribo, uma seita de seres humanos que tem poderes como audição e olfato super apurados, e até invisibilidade. Neste cenário surge Otori Shigeru, herdeiro do Clã Otori, lideres prósperos e justos do País do Meio, jovem que anseia por agradar ao pai e que  se rege, à risca, pelo Bushido, o Código dos Samurais. Já no país vizinho, o País do Leste, Iida Sadamu, move-se apenas pela sede de poder, não se coibindo de matar e torturar para obter os seus intentos. Sadamu, herdeiro dos Tohan, espicaça os Otori nas suas fronteiras, levando Shigeru a dar-lhe batalha. Sadamu ganha a batalha, com a traição de vários vassalos dos Otori, e Shigeru tem que se submeter aos seus tios e na sombra fazer tudo para conseguir a sua vingança. O tempo passa e  Shigeru faz de conta que é lavrador (melhorando em muito a produção dos Otori), ao mesmo tempo que percorre as suas terras recolhendo informações sobre a Tribo e sobre o estado de descontentamento do seu povo. Tudo parece perdido quando o irmão de Shigeru, Otori Takeshi, é morto por guerreiros Tohan mas Shigeru consegue achar a solução para a sua vingança na remota aldeia de Mino...

4 de julho de 2011

Manual das Finanças Pessoais

Quando comprei este livro na feira não estava à espera de gostar tanto. Os autores, João Pessoa Jorge, Licenciado em Gestão, e Ricardo Ferreira, Licenciado em Economia,  escrevem de uma forma simples e clara e desmistificam as finanças para o comum dos mortais. O livro segue uma ordem lógica, começando primeiro pelo controlo de gastos, pelo desendividamento, pelo investimento até a independência financeira. Quem ainda acha que investir na bolsa é reservado apenas a grandes carolas da alta finança tem que ler este manual.
Muitas das técnicas de controlo das despesas eu já sabia (sendo a mais importante o balanço orçamental, ou seja, anotar todas as despesas e todos os ganhos SEMPRE!!!. Para tal eu uso o programa GnuCash que é gratuito e tem todas as funções necessárias para controlar um orçamento pessoal) e muitas das questões referidas no capítulo "O negócio bancário" também. Gostei particularmente do cálculo do Salário Horário Real no qual se reduz as despesas fixas do salário líquido por forma a saber o quanto se ganha realmente por hora.
Onde o meu interesse realmente começou foi na segunda parte do livro, "Os básicos do investimento". Os conceitos básicos de risco, retorno, liquidez, etc são todos cobertos e, mais importante, como começar uma carteira de ativos (com explicação do que são esses ativos: obrigações, ações, fundos de investimento, etc) para um determinado objetivo (reforma, faculdade dos filhos, etc). Muito bom!!! Aconselho a toda a gente agora que a crise vai apertar (mais ainda...).

22 de junho de 2011

Um Mundo Sem Regras

Amin Maalouf, um autor nascido no Líbano, radicado em Paris, escreve este livro para tentar dar um pouco de luz sobre os problemas do médio oriente, problemas esses que tiveram como consequência o fanatismo islâmico. Com uma análise séria e de estilo jornalístico, com uma grande bibliografia, Maalouf segue pela história recente dos países islâmicos do médio oriente, desde a 2ª Guerra Mundial, altura em que as grandes potências colonizadoras "largaram" as suas colónias ao seu destino e todos os problemas começaram (ou talvez deva dizer, vieram à superfície) até aos dias de hoje.
Do lado negativo devo dizer que o texto dá a entender que Maalouf acredita que os atentados ligados ao terrorismo (nomeadamente o 11 de Setembro) foram efectuados servindo os interesses islâmicos e não os interesses Americanos, algo que eu acho altamente improvável senão totalmente impossível e que um jornalista avisado deveria, pelo menos, questionar...
Por fim são apontados os problemas do mundo em geral (o desregramento intelectual, económico, financeiro, climático) e apontadas soluções ("(...) Por vezes, fala-se da crise moral do nosso tempo em termos de «perda de referências» ou de «perda de sentido»; (...) Do meu ponto de vista não se trata de «reencontrar», mas de inventar. (...) Do meu ponto de vista, sair «por cima» do desregramento que afecta o mundo exige a adopção de uma escala de valores baseada no primado da cultura, direi mesmo baseado na salvação pela cultura. (...)") se bem que, apesar de verdadeiras, talvez sejam um pouco ingénuas ("(...) já não podemos permitir-nos conhecer «os outros» de maneira aproximativa, superficial, grosseira. Temos necessidade de conhecê-los com subtileza, de perto, direi mesmo na sua intimidade. O que só pode fazer-se através da sua cultura. E em primeiro lugar através da sua literatura. A intimidade de um povo é a sua literatura. (...)") e impraticáveis.
Qualquer das formas é um livro muito interessante quer por permitir aprofundar os porquês do extremismo do Islão, quer por conter algumas ideias muito interessantes e inéditas para mim (por exemplo "(...) A desconfiança que prevalece na tradição muçulmana, como na tradição protestante, em relação a uma autoridade religiosa centralizadora é perfeitamente legítima e muito democrática na sua inspiração; mas tem um efeito secundário calamitoso: sem esta insuportável autoridade centralizadora nenhum progresso é inscrito de modo irreversível. (...)".

14 de junho de 2011

1000

Durante este fim de semana passaram as 1000 visualizações. Obrigado a todos :)

9 de junho de 2011

O Cid, Campeador

Prosa épica baseada na Gesta Castelhana do séc. XIII, El Cantar del Mio Cid, adaptada por Arthur Lambert da Fonseca, conta a história de um herói da reconquista Ibérica, Rodrigo Díaz de Vivar, que viveu no século XI e que ganhou fama batalhando os mouros, culminando com a sua conquista de Valência.
Li novamente este livro porque foi, digamos, um percursor do meu gosto de fantasia. A minha mãe comprou-o num alfarrabista e ofereceu-me quando eu tinha uns 15 anos. Não me lembro se já tinha lido o Tolkien ou a Ursula Le Guin mas sempre gostei deste livro, apesar de agora, após alguma pesquisa, saber que a história do Cid não foi bem assim. Se gostam de fantasia, romances de cavalaria ou romances históricos e apanharem este livrinho num alfarrabista aproveitem porque é bem engraçado.

6 de junho de 2011

A Revolução Electrónica

William S. Burroughs propõe neste ensaio que "word is virus" - a palavra é um vírus - no sentido literal ((...) Falei frequentemente da palavra e da imagem como vírus ou agindo como vírus, e não é uma comparação alegórica. (...)) mas parece-me que Burroughs não sabia nada acerca do que é um vírus nem do que é a evolução das espécies. Propõe então que um vírus se alojou na garganta dos macacos e tornou-se benéfico ou simbiótico em vez de parasitário. Tal é impossível à luz do que se sabe hoje da natureza viral. O que é certo é que W. B. chega a conclusões verdadeiras através de premissas falsas (como tantas vezes acontece na ciência). A título de  exemplo, se se colocar gravações sonoras de motins numa manifestação ela deixará de ser pacífica rapidamente. Tais técnicas já foram usadas com eficácia por agitadores quer governamentais quer subversivos. Burroughs também propõe que a palavra escrita é aquilo que distingue o ser humano de outros seres e que através dela é possível transformar as gerações futuras. Não concordo que a escrita seja aquilo que nos diferencia dos outros seres mas sem dúvida que deixa uma marca no futuro da humanidade. Escrito com a técnica de cut-ups (Burroughs retira citações de várias fontes, sem dizer a sua origem, misturando com texto da sua autoria), algo próximo das colagens nas artes plásticas, o texto é de fácil leitura mas difícil de decifrar o seu verdadeiro conteúdo.
Um livro muito interessante mas que deverá ser lido mais que uma vez para ser completamente digerido.

27 de maio de 2011

Daenerys a Mãe dos Dragões

Este Daenerys a Mãe dos Dragões apresenta aos jovens (ou quem o quiser ler) o maravilhoso universo da série As Crónicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, através da história da última descendente da casa Targaryen, senhores dos sete reinos, depostos por Robert Baratheon, o Usurpador, que matou seu pai e seu irmão mais velho e a forçou ao exílio do outro lado do mundo com o irmão Viserys, à procura de um exército para reconquistar o trono. Viserys vende a irmã a Khal Drogo, chefe do maior Khalazar (líder de uma horda que fica a meio caminho entre os Índios da América do Norte e os Mongóis da China) por 10.000 cavaleiros Dothraki. As coisas não correm bem como Viserys espera, e Daenerys torna-se a verdadeira descendente dos dragões. Este pequeno livro é composto pelos capítulos dedicados a Deanerys nos dois primeiros  volumes das Crónicas de Gelo e Fogo, não trazendo nada de novo a quem já leu esses volumes, mas é interessante ver como a história se desenrola toda de seguida. Para quem estiver interessado mas não quiser comprar o pequeno volume pode sempre fazer o download da versão integral deste eBook aqui.