4 de julho de 2011

Manual das Finanças Pessoais

Quando comprei este livro na feira não estava à espera de gostar tanto. Os autores, João Pessoa Jorge, Licenciado em Gestão, e Ricardo Ferreira, Licenciado em Economia,  escrevem de uma forma simples e clara e desmistificam as finanças para o comum dos mortais. O livro segue uma ordem lógica, começando primeiro pelo controlo de gastos, pelo desendividamento, pelo investimento até a independência financeira. Quem ainda acha que investir na bolsa é reservado apenas a grandes carolas da alta finança tem que ler este manual.
Muitas das técnicas de controlo das despesas eu já sabia (sendo a mais importante o balanço orçamental, ou seja, anotar todas as despesas e todos os ganhos SEMPRE!!!. Para tal eu uso o programa GnuCash que é gratuito e tem todas as funções necessárias para controlar um orçamento pessoal) e muitas das questões referidas no capítulo "O negócio bancário" também. Gostei particularmente do cálculo do Salário Horário Real no qual se reduz as despesas fixas do salário líquido por forma a saber o quanto se ganha realmente por hora.
Onde o meu interesse realmente começou foi na segunda parte do livro, "Os básicos do investimento". Os conceitos básicos de risco, retorno, liquidez, etc são todos cobertos e, mais importante, como começar uma carteira de ativos (com explicação do que são esses ativos: obrigações, ações, fundos de investimento, etc) para um determinado objetivo (reforma, faculdade dos filhos, etc). Muito bom!!! Aconselho a toda a gente agora que a crise vai apertar (mais ainda...).

22 de junho de 2011

Um Mundo Sem Regras

Amin Maalouf, um autor nascido no Líbano, radicado em Paris, escreve este livro para tentar dar um pouco de luz sobre os problemas do médio oriente, problemas esses que tiveram como consequência o fanatismo islâmico. Com uma análise séria e de estilo jornalístico, com uma grande bibliografia, Maalouf segue pela história recente dos países islâmicos do médio oriente, desde a 2ª Guerra Mundial, altura em que as grandes potências colonizadoras "largaram" as suas colónias ao seu destino e todos os problemas começaram (ou talvez deva dizer, vieram à superfície) até aos dias de hoje.
Do lado negativo devo dizer que o texto dá a entender que Maalouf acredita que os atentados ligados ao terrorismo (nomeadamente o 11 de Setembro) foram efectuados servindo os interesses islâmicos e não os interesses Americanos, algo que eu acho altamente improvável senão totalmente impossível e que um jornalista avisado deveria, pelo menos, questionar...
Por fim são apontados os problemas do mundo em geral (o desregramento intelectual, económico, financeiro, climático) e apontadas soluções ("(...) Por vezes, fala-se da crise moral do nosso tempo em termos de «perda de referências» ou de «perda de sentido»; (...) Do meu ponto de vista não se trata de «reencontrar», mas de inventar. (...) Do meu ponto de vista, sair «por cima» do desregramento que afecta o mundo exige a adopção de uma escala de valores baseada no primado da cultura, direi mesmo baseado na salvação pela cultura. (...)") se bem que, apesar de verdadeiras, talvez sejam um pouco ingénuas ("(...) já não podemos permitir-nos conhecer «os outros» de maneira aproximativa, superficial, grosseira. Temos necessidade de conhecê-los com subtileza, de perto, direi mesmo na sua intimidade. O que só pode fazer-se através da sua cultura. E em primeiro lugar através da sua literatura. A intimidade de um povo é a sua literatura. (...)") e impraticáveis.
Qualquer das formas é um livro muito interessante quer por permitir aprofundar os porquês do extremismo do Islão, quer por conter algumas ideias muito interessantes e inéditas para mim (por exemplo "(...) A desconfiança que prevalece na tradição muçulmana, como na tradição protestante, em relação a uma autoridade religiosa centralizadora é perfeitamente legítima e muito democrática na sua inspiração; mas tem um efeito secundário calamitoso: sem esta insuportável autoridade centralizadora nenhum progresso é inscrito de modo irreversível. (...)".

14 de junho de 2011

1000

Durante este fim de semana passaram as 1000 visualizações. Obrigado a todos :)

9 de junho de 2011

O Cid, Campeador

Prosa épica baseada na Gesta Castelhana do séc. XIII, El Cantar del Mio Cid, adaptada por Arthur Lambert da Fonseca, conta a história de um herói da reconquista Ibérica, Rodrigo Díaz de Vivar, que viveu no século XI e que ganhou fama batalhando os mouros, culminando com a sua conquista de Valência.
Li novamente este livro porque foi, digamos, um percursor do meu gosto de fantasia. A minha mãe comprou-o num alfarrabista e ofereceu-me quando eu tinha uns 15 anos. Não me lembro se já tinha lido o Tolkien ou a Ursula Le Guin mas sempre gostei deste livro, apesar de agora, após alguma pesquisa, saber que a história do Cid não foi bem assim. Se gostam de fantasia, romances de cavalaria ou romances históricos e apanharem este livrinho num alfarrabista aproveitem porque é bem engraçado.

6 de junho de 2011

A Revolução Electrónica

William S. Burroughs propõe neste ensaio que "word is virus" - a palavra é um vírus - no sentido literal ((...) Falei frequentemente da palavra e da imagem como vírus ou agindo como vírus, e não é uma comparação alegórica. (...)) mas parece-me que Burroughs não sabia nada acerca do que é um vírus nem do que é a evolução das espécies. Propõe então que um vírus se alojou na garganta dos macacos e tornou-se benéfico ou simbiótico em vez de parasitário. Tal é impossível à luz do que se sabe hoje da natureza viral. O que é certo é que W. B. chega a conclusões verdadeiras através de premissas falsas (como tantas vezes acontece na ciência). A título de  exemplo, se se colocar gravações sonoras de motins numa manifestação ela deixará de ser pacífica rapidamente. Tais técnicas já foram usadas com eficácia por agitadores quer governamentais quer subversivos. Burroughs também propõe que a palavra escrita é aquilo que distingue o ser humano de outros seres e que através dela é possível transformar as gerações futuras. Não concordo que a escrita seja aquilo que nos diferencia dos outros seres mas sem dúvida que deixa uma marca no futuro da humanidade. Escrito com a técnica de cut-ups (Burroughs retira citações de várias fontes, sem dizer a sua origem, misturando com texto da sua autoria), algo próximo das colagens nas artes plásticas, o texto é de fácil leitura mas difícil de decifrar o seu verdadeiro conteúdo.
Um livro muito interessante mas que deverá ser lido mais que uma vez para ser completamente digerido.

27 de maio de 2011

Daenerys a Mãe dos Dragões

Este Daenerys a Mãe dos Dragões apresenta aos jovens (ou quem o quiser ler) o maravilhoso universo da série As Crónicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, através da história da última descendente da casa Targaryen, senhores dos sete reinos, depostos por Robert Baratheon, o Usurpador, que matou seu pai e seu irmão mais velho e a forçou ao exílio do outro lado do mundo com o irmão Viserys, à procura de um exército para reconquistar o trono. Viserys vende a irmã a Khal Drogo, chefe do maior Khalazar (líder de uma horda que fica a meio caminho entre os Índios da América do Norte e os Mongóis da China) por 10.000 cavaleiros Dothraki. As coisas não correm bem como Viserys espera, e Daenerys torna-se a verdadeira descendente dos dragões. Este pequeno livro é composto pelos capítulos dedicados a Deanerys nos dois primeiros  volumes das Crónicas de Gelo e Fogo, não trazendo nada de novo a quem já leu esses volumes, mas é interessante ver como a história se desenrola toda de seguida. Para quem estiver interessado mas não quiser comprar o pequeno volume pode sempre fazer o download da versão integral deste eBook aqui.

The Earthsea Quartet 3 de 4 - The Farthest Shore

Algo de grave acontece em Earthsea, quando nos confins do mundo aparecem rumores de que a magia nunca existiu, as canções começam a desaparecer e os homens sacrificam as suas crianças em altares... Arren, um jovem príncipe das ilhas Enlad, chega a Roke, com notícias perturbadoras de que também na sua ilha, terra de Morred, as palavras da verdadeira fala estão se a perder. Num ato irrefletido de lealdade, Arren joga-se aos pés do Arquimago, jurando servi-lo enquanto for preciso. Ged e Arren (Lebannen de seu nome verdadeiro; e que quer dizer Rowan Tree na fala orginal - sorveira brava) seguem no Lookfar (barco já mítico de Ged) até aos confins do sul, onde as regras mudam e onde surgiram as primeiras notícias de mudança. Arren começa a conhecer o mundo e a si próprio, enveredando também numa viagem de auto-conhecimento, que começa com uma criança e acaba com um homem... Após várias peripécias, como se de um romance policial se tratasse, seguem de pista em pista até que Lookfar segue o dragão Orm, até Selidor, a ilha mais longe, na qual se encontra Cob, a nemesis de Ged, quem sabe mais poderoso que este, e que na sua ânsia de poder destrói o equilíbrio do mundo, abrindo uma ferida neste (um pouco como Ged o fez no primeiro livro). Com a ajuda preciosa do dragão, Ged e Arren seguem Cob para a terra seca, onde as estrelas nunca se põem, e sacrificando toda a sua arte e quase a vida, Ged fecha o buraco do mundo e torna-o inteiro novamente. Arren arrasta-se e a Ged pelas montanhas da Dor e consegue voltar novamente para o mundo dos vivos pelo caminho mais comprido e difícil.
The Farthest Shore (A Praia Mais Longínqua na Presença e O Outro Lado do Mundo na Argonauta) é a conclusão perfeita da mais bela trilogia de fantasia que eu já li, na qual só com grandes sacrifícios as coisas importantes são realmente feitas.

17 de maio de 2011

The Earthsea Quartet 2 de 4 - The Tombs of Atuan

The Tombs of Atuan (Os Túmulos de Atuan ou Os Túmulos de Atuan mas eu apontava para a tradução da Livros do Brasil pelo Eurico da Fonseca) conta a história da procura do Anel de Erreth-Akbe, perdido há muitos séculos, e que leva Ged até às terras Kargad, mais precisamente à ilha de Atuan. Aí, perdido no meio do deserto, existe um templo erguido em nome de um dos antigos poderes da terra, com uma sacerdotisa, Arha, a Devorada, The One Priestess, para sempre renascida. No dia e na hora em que morre a Arha-que-foi, partem dos Túmulos pessoas em busca da Arha-que-é, procurando todas as meninas que nasceram nessa altura, ao estilo do Dalai Lama. Assim, uma menina de 5 anos, chamada Tenar, é arrancada dos braços da mãe e levada para os Túmulos para cumprir o seu destino eterno e se tornar Arha. Os dias no templo vão-se passando e Arha não encaixa bem na rotina é norma. Um dia, um ladrão tenta roubar os Túmulos - Ged. Arha engana o mago e este entra num labirinto do qual não pode sair. A sacerdotisa, para satisfazer a sua curiosidade, interroga o prisioneiro acerca das suas motivações e das artes mágicas, que não existem nas terras Kargad, acabando por descobrir que a prisioneira era ela. Ged mostra-lhe aquilo que ela pode ser e esta escolhe ser Tenar fugindo com Ged dos Túmulos, levando consigo o Anel de Erreth-Akbe. Mais uma vez a beleza e a simplicidade da escrita de Le Guin impressionam, levando o leitor a devorar as páginas deste livro, que se debruça sobre o auto conhecimento, sobre o destino que podemos dar às nossas vidas e sobre as escolhas que fazemos e como elas nos afetam. E para terminar: "(...) Freedom  is a heavy load, a great and strange burden for the spirit to undertake. (...) It is not a gift given, but a choice made, and the choice may be a hard one. The road goes upward towards the light; but the laden traveller may never reach the end of it. (...)" ("A liberdade é um fardo pesado, um grande e estranho fardo para o espírito absorver. (...) Não é um prémio dado, mas uma escolha feita, e essa escolha pode ser bem dura. A estrada sobe até à luz; mas o viajante carregado pode nunca chegar até ao fim."

5 de maio de 2011

The Earthsea Quartet 1 de 4 - A Wizard of Earthsea

The Earthsea Quartet é composto por quatro livros que contam as aventuras e desventuras de Ged, o Gavião (Sparrowhawk no original). O primeiro, A Wizard of Earthsea (O Feiticeiro de Terramar ou O Feiticeiro e a Sombra em Português) principia em Gont, uma ilha famosa pelos seus cabreiros, marinheiros e mágicos, numa aldeia remota das montanhas onde o jovem Ged dá mostras, pela primeira vez, do seu poder imenso. Ogion, o silencioso, toma o rapaz como pupilo e tenta-lhe ensinar aquilo que lhe falta. Não o poder, que isso ele tem demais, mas paciência. Ged não se contenta e Ogion envia-o ao Arquimago em Roke, a ilha dos sábios, para que ele aprenda as mais altas artes mágicas, recomendando-o como "(...) one who willbe greatest of the wizards of Gont (...)". Ged torna-se o mais rápido aprendiz de Roke até que, por orgulho e despeito, abre uma fenda no tecido do mundo, libertando uma Sombra que o deforma e tenta destruir. Quando Ged finalmente se torna um Mágico (processo muito moroso porque a Sombra destrói toda a sua confiança) este parte primeiro como presa e depois como caçador numa demanda de auto conhecimento, que o leva a enfrentar dragões e os antigos poderes da terra, até aos confins do mundo conhecido, numa tentativa de descobrir o nome verdadeiro da Sombra, chegando à conclusão de que a Sombra é uma parte dele mesmo e que só pode ter um nome: Ged!
Le Guin é uma fantástica contadora de histórias e tem nestes livros a mais bela descrição de magia que eu já li: o poder vem de saber os verdadeiros nomes das coisas, nomeados por Segoy (Deus) no início dos tempos e que a realidade é uma grande palavra para sempre proferida até ao fim dos tempos ("For magic consists in this, the true naming of a thing"). Quando o encantamento é feito ele é "tecido" com palavras e movimentos ("(...) he wove on the wind's loom a sail of spells, a square sail white as the snows on Gont Peak above. At this the women watching sighed with envy. (...)" - "(...) ele teceu no tear do vento uma vela de encantamentos, uma vela quadrada branca como as neves do Gont Peak. As mulheres que observavam suspiraram de inveja (...)"). Lindo!!!

15 de abril de 2011

500 Visitas!!!

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