22 de junho de 2011

Um Mundo Sem Regras

Amin Maalouf, um autor nascido no Líbano, radicado em Paris, escreve este livro para tentar dar um pouco de luz sobre os problemas do médio oriente, problemas esses que tiveram como consequência o fanatismo islâmico. Com uma análise séria e de estilo jornalístico, com uma grande bibliografia, Maalouf segue pela história recente dos países islâmicos do médio oriente, desde a 2ª Guerra Mundial, altura em que as grandes potências colonizadoras "largaram" as suas colónias ao seu destino e todos os problemas começaram (ou talvez deva dizer, vieram à superfície) até aos dias de hoje.
Do lado negativo devo dizer que o texto dá a entender que Maalouf acredita que os atentados ligados ao terrorismo (nomeadamente o 11 de Setembro) foram efectuados servindo os interesses islâmicos e não os interesses Americanos, algo que eu acho altamente improvável senão totalmente impossível e que um jornalista avisado deveria, pelo menos, questionar...
Por fim são apontados os problemas do mundo em geral (o desregramento intelectual, económico, financeiro, climático) e apontadas soluções ("(...) Por vezes, fala-se da crise moral do nosso tempo em termos de «perda de referências» ou de «perda de sentido»; (...) Do meu ponto de vista não se trata de «reencontrar», mas de inventar. (...) Do meu ponto de vista, sair «por cima» do desregramento que afecta o mundo exige a adopção de uma escala de valores baseada no primado da cultura, direi mesmo baseado na salvação pela cultura. (...)") se bem que, apesar de verdadeiras, talvez sejam um pouco ingénuas ("(...) já não podemos permitir-nos conhecer «os outros» de maneira aproximativa, superficial, grosseira. Temos necessidade de conhecê-los com subtileza, de perto, direi mesmo na sua intimidade. O que só pode fazer-se através da sua cultura. E em primeiro lugar através da sua literatura. A intimidade de um povo é a sua literatura. (...)") e impraticáveis.
Qualquer das formas é um livro muito interessante quer por permitir aprofundar os porquês do extremismo do Islão, quer por conter algumas ideias muito interessantes e inéditas para mim (por exemplo "(...) A desconfiança que prevalece na tradição muçulmana, como na tradição protestante, em relação a uma autoridade religiosa centralizadora é perfeitamente legítima e muito democrática na sua inspiração; mas tem um efeito secundário calamitoso: sem esta insuportável autoridade centralizadora nenhum progresso é inscrito de modo irreversível. (...)".

14 de junho de 2011

1000

Durante este fim de semana passaram as 1000 visualizações. Obrigado a todos :)

9 de junho de 2011

O Cid, Campeador

Prosa épica baseada na Gesta Castelhana do séc. XIII, El Cantar del Mio Cid, adaptada por Arthur Lambert da Fonseca, conta a história de um herói da reconquista Ibérica, Rodrigo Díaz de Vivar, que viveu no século XI e que ganhou fama batalhando os mouros, culminando com a sua conquista de Valência.
Li novamente este livro porque foi, digamos, um percursor do meu gosto de fantasia. A minha mãe comprou-o num alfarrabista e ofereceu-me quando eu tinha uns 15 anos. Não me lembro se já tinha lido o Tolkien ou a Ursula Le Guin mas sempre gostei deste livro, apesar de agora, após alguma pesquisa, saber que a história do Cid não foi bem assim. Se gostam de fantasia, romances de cavalaria ou romances históricos e apanharem este livrinho num alfarrabista aproveitem porque é bem engraçado.

6 de junho de 2011

A Revolução Electrónica

William S. Burroughs propõe neste ensaio que "word is virus" - a palavra é um vírus - no sentido literal ((...) Falei frequentemente da palavra e da imagem como vírus ou agindo como vírus, e não é uma comparação alegórica. (...)) mas parece-me que Burroughs não sabia nada acerca do que é um vírus nem do que é a evolução das espécies. Propõe então que um vírus se alojou na garganta dos macacos e tornou-se benéfico ou simbiótico em vez de parasitário. Tal é impossível à luz do que se sabe hoje da natureza viral. O que é certo é que W. B. chega a conclusões verdadeiras através de premissas falsas (como tantas vezes acontece na ciência). A título de  exemplo, se se colocar gravações sonoras de motins numa manifestação ela deixará de ser pacífica rapidamente. Tais técnicas já foram usadas com eficácia por agitadores quer governamentais quer subversivos. Burroughs também propõe que a palavra escrita é aquilo que distingue o ser humano de outros seres e que através dela é possível transformar as gerações futuras. Não concordo que a escrita seja aquilo que nos diferencia dos outros seres mas sem dúvida que deixa uma marca no futuro da humanidade. Escrito com a técnica de cut-ups (Burroughs retira citações de várias fontes, sem dizer a sua origem, misturando com texto da sua autoria), algo próximo das colagens nas artes plásticas, o texto é de fácil leitura mas difícil de decifrar o seu verdadeiro conteúdo.
Um livro muito interessante mas que deverá ser lido mais que uma vez para ser completamente digerido.

27 de maio de 2011

Daenerys a Mãe dos Dragões

Este Daenerys a Mãe dos Dragões apresenta aos jovens (ou quem o quiser ler) o maravilhoso universo da série As Crónicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, através da história da última descendente da casa Targaryen, senhores dos sete reinos, depostos por Robert Baratheon, o Usurpador, que matou seu pai e seu irmão mais velho e a forçou ao exílio do outro lado do mundo com o irmão Viserys, à procura de um exército para reconquistar o trono. Viserys vende a irmã a Khal Drogo, chefe do maior Khalazar (líder de uma horda que fica a meio caminho entre os Índios da América do Norte e os Mongóis da China) por 10.000 cavaleiros Dothraki. As coisas não correm bem como Viserys espera, e Daenerys torna-se a verdadeira descendente dos dragões. Este pequeno livro é composto pelos capítulos dedicados a Deanerys nos dois primeiros  volumes das Crónicas de Gelo e Fogo, não trazendo nada de novo a quem já leu esses volumes, mas é interessante ver como a história se desenrola toda de seguida. Para quem estiver interessado mas não quiser comprar o pequeno volume pode sempre fazer o download da versão integral deste eBook aqui.

The Earthsea Quartet 3 de 4 - The Farthest Shore

Algo de grave acontece em Earthsea, quando nos confins do mundo aparecem rumores de que a magia nunca existiu, as canções começam a desaparecer e os homens sacrificam as suas crianças em altares... Arren, um jovem príncipe das ilhas Enlad, chega a Roke, com notícias perturbadoras de que também na sua ilha, terra de Morred, as palavras da verdadeira fala estão se a perder. Num ato irrefletido de lealdade, Arren joga-se aos pés do Arquimago, jurando servi-lo enquanto for preciso. Ged e Arren (Lebannen de seu nome verdadeiro; e que quer dizer Rowan Tree na fala orginal - sorveira brava) seguem no Lookfar (barco já mítico de Ged) até aos confins do sul, onde as regras mudam e onde surgiram as primeiras notícias de mudança. Arren começa a conhecer o mundo e a si próprio, enveredando também numa viagem de auto-conhecimento, que começa com uma criança e acaba com um homem... Após várias peripécias, como se de um romance policial se tratasse, seguem de pista em pista até que Lookfar segue o dragão Orm, até Selidor, a ilha mais longe, na qual se encontra Cob, a nemesis de Ged, quem sabe mais poderoso que este, e que na sua ânsia de poder destrói o equilíbrio do mundo, abrindo uma ferida neste (um pouco como Ged o fez no primeiro livro). Com a ajuda preciosa do dragão, Ged e Arren seguem Cob para a terra seca, onde as estrelas nunca se põem, e sacrificando toda a sua arte e quase a vida, Ged fecha o buraco do mundo e torna-o inteiro novamente. Arren arrasta-se e a Ged pelas montanhas da Dor e consegue voltar novamente para o mundo dos vivos pelo caminho mais comprido e difícil.
The Farthest Shore (A Praia Mais Longínqua na Presença e O Outro Lado do Mundo na Argonauta) é a conclusão perfeita da mais bela trilogia de fantasia que eu já li, na qual só com grandes sacrifícios as coisas importantes são realmente feitas.

17 de maio de 2011

The Earthsea Quartet 2 de 4 - The Tombs of Atuan

The Tombs of Atuan (Os Túmulos de Atuan ou Os Túmulos de Atuan mas eu apontava para a tradução da Livros do Brasil pelo Eurico da Fonseca) conta a história da procura do Anel de Erreth-Akbe, perdido há muitos séculos, e que leva Ged até às terras Kargad, mais precisamente à ilha de Atuan. Aí, perdido no meio do deserto, existe um templo erguido em nome de um dos antigos poderes da terra, com uma sacerdotisa, Arha, a Devorada, The One Priestess, para sempre renascida. No dia e na hora em que morre a Arha-que-foi, partem dos Túmulos pessoas em busca da Arha-que-é, procurando todas as meninas que nasceram nessa altura, ao estilo do Dalai Lama. Assim, uma menina de 5 anos, chamada Tenar, é arrancada dos braços da mãe e levada para os Túmulos para cumprir o seu destino eterno e se tornar Arha. Os dias no templo vão-se passando e Arha não encaixa bem na rotina é norma. Um dia, um ladrão tenta roubar os Túmulos - Ged. Arha engana o mago e este entra num labirinto do qual não pode sair. A sacerdotisa, para satisfazer a sua curiosidade, interroga o prisioneiro acerca das suas motivações e das artes mágicas, que não existem nas terras Kargad, acabando por descobrir que a prisioneira era ela. Ged mostra-lhe aquilo que ela pode ser e esta escolhe ser Tenar fugindo com Ged dos Túmulos, levando consigo o Anel de Erreth-Akbe. Mais uma vez a beleza e a simplicidade da escrita de Le Guin impressionam, levando o leitor a devorar as páginas deste livro, que se debruça sobre o auto conhecimento, sobre o destino que podemos dar às nossas vidas e sobre as escolhas que fazemos e como elas nos afetam. E para terminar: "(...) Freedom  is a heavy load, a great and strange burden for the spirit to undertake. (...) It is not a gift given, but a choice made, and the choice may be a hard one. The road goes upward towards the light; but the laden traveller may never reach the end of it. (...)" ("A liberdade é um fardo pesado, um grande e estranho fardo para o espírito absorver. (...) Não é um prémio dado, mas uma escolha feita, e essa escolha pode ser bem dura. A estrada sobe até à luz; mas o viajante carregado pode nunca chegar até ao fim."

5 de maio de 2011

The Earthsea Quartet 1 de 4 - A Wizard of Earthsea

The Earthsea Quartet é composto por quatro livros que contam as aventuras e desventuras de Ged, o Gavião (Sparrowhawk no original). O primeiro, A Wizard of Earthsea (O Feiticeiro de Terramar ou O Feiticeiro e a Sombra em Português) principia em Gont, uma ilha famosa pelos seus cabreiros, marinheiros e mágicos, numa aldeia remota das montanhas onde o jovem Ged dá mostras, pela primeira vez, do seu poder imenso. Ogion, o silencioso, toma o rapaz como pupilo e tenta-lhe ensinar aquilo que lhe falta. Não o poder, que isso ele tem demais, mas paciência. Ged não se contenta e Ogion envia-o ao Arquimago em Roke, a ilha dos sábios, para que ele aprenda as mais altas artes mágicas, recomendando-o como "(...) one who willbe greatest of the wizards of Gont (...)". Ged torna-se o mais rápido aprendiz de Roke até que, por orgulho e despeito, abre uma fenda no tecido do mundo, libertando uma Sombra que o deforma e tenta destruir. Quando Ged finalmente se torna um Mágico (processo muito moroso porque a Sombra destrói toda a sua confiança) este parte primeiro como presa e depois como caçador numa demanda de auto conhecimento, que o leva a enfrentar dragões e os antigos poderes da terra, até aos confins do mundo conhecido, numa tentativa de descobrir o nome verdadeiro da Sombra, chegando à conclusão de que a Sombra é uma parte dele mesmo e que só pode ter um nome: Ged!
Le Guin é uma fantástica contadora de histórias e tem nestes livros a mais bela descrição de magia que eu já li: o poder vem de saber os verdadeiros nomes das coisas, nomeados por Segoy (Deus) no início dos tempos e que a realidade é uma grande palavra para sempre proferida até ao fim dos tempos ("For magic consists in this, the true naming of a thing"). Quando o encantamento é feito ele é "tecido" com palavras e movimentos ("(...) he wove on the wind's loom a sail of spells, a square sail white as the snows on Gont Peak above. At this the women watching sighed with envy. (...)" - "(...) ele teceu no tear do vento uma vela de encantamentos, uma vela quadrada branca como as neves do Gont Peak. As mulheres que observavam suspiraram de inveja (...)"). Lindo!!!

15 de abril de 2011

500 Visitas!!!

Obrigado amigos por visitarem o meu Blogue!!! Se gostam, por favor, divulguem.

14 de abril de 2011

O Dragão Branco (1 e 2)

O Dragão Branco (novamente em dois volumes na coleção Argonauta e em um volume na coleção da Gailivros) é o fim da trilogia Dragonriders of Pern. Conta a história do jovem Senhor Jaxom, órfão de Pai e de Mãe, herdeiro do Baluarte de Ruatha, por Lessa, agora Mulher-de-Ninho de Benden, ter abdicado em seu favor, e cavaleiro de Dragão de Ruth, um pequeno Dragão Branco, que Jaxom salvou de morte certa, quando o seu ovo estava prestes a ser abandonado por todas as outras pessoas por ser mais pequeno. e não ter aberto de imediato. Esta Impressão causou grandes problemas aos Chefes de Benden porque Lessa apenas abdicou Ruatha para o jovem Jaxom e os outros Senhores de Baluarte insistem que Ruth seja criado no Ninho. Inicialmente todos sentem que o pequeno Dragão não irá viver muito tempo (todos expecto os seus pais: Ramoth e Mnementh) por isso deixam Jaxom tome conta de Ruth no seu Baluarte. Isto cria ainda mais problemas porque Lytol, Guardião de Ruatha e tutor de Jaxom, a pessoa que o jovem mais quer agradar, é um ex Cavaleiro de Dragão, que perdeu o seu animal num acidente e sofre imenso com isso. Ruth cresce e mostra-se saudável, apesar de diferente, e revela-se o Dragão mais inteligente de todos, atingindo uma cumplicidade com Jaxom única e tornando-se um Dragão muito apreciado entre os seus pares e entre todos os Cavaleiros de Pern. Anne McCaffrey continua aqui neste livro a mostrar toda a sua qualidade na escrita, desenvolvendo mais um pouco o complexo e maravilhoso mundo de Pern.

12 de abril de 2011

O Planeta dos Dragões (1, 2 e 3)

O Planeta dos Dragões, nesta edição da Argonauta, é composto por três volumes que contêm duas obras:  Dragonflight e Drangonquest (que foram alvo de nova edição em português pela editora Gailivro, na coleção Mil e Um Mundos, O Voo do DragãoA Demanda do Dragão). Anne McCaffrey, autora americana, tem como principal obra esta série, Dragonriders of Pern, composta por mais de 20 livros, que já foi premiada com os mais prestigiados prémios de Ficção Científica. Pern é um planeta descoberto e colonizado pelos humanos, muitos milénios antes da ação dos livros, apesar de no presente tempo ter regredido para uma Idade Média feudal, em que Dragões foram criados a partir de uma espécie de lagartos voadores.
A razão desses Dragões terem sido criados prende-se com o facto de um pequeno planeta, com uma orbita errante, a Estrela Vermelha, quando a conjugação de vários planetas o permite, liberta uns esporos (os "Fios") que atravessam o vazio em direção a Pern, destruindo toda a matéria orgânica em que tocam, durante vários "Turnos", a que corresponde a uma "Passagem". Assim, as criaturas aladas, que "comem" "pedra-de-fogo" e lançam chamas em pleno ar, fazem parte da proteção que os "Antigos" criaram para proteger Pern dos Fios. Outra característica que os Dragões possuem é poderem deslocar-se, instantaneamente, "entre" locais e "entre" tempos, bastando para isso o seu cavaleiro visualizar o local para onde deseja deslocar-se. Entre Dragões e Cavaleiros existe uma ligação empática muito forte, sendo que o Dragãozinho quando nasce, é "Impressionado" pelo seu futuro cavaleiro, "Impressão" essa que é para toda a vida. Pern criou uma estrutura social peculiar, em que os "Baluartes" (os feudos) dão um dízimo aos "Ninhos", porque os Cavaleiros têm que cuidar dos seus Dragões e viver em locais inóspitos.
Esta série de livros começa com os "Ninhos" em decadência (só um está ativo, Benden, após o desaparecimento misterioso de cinco, e com uns escassos duzentos Dragões em vez dos mil possíveis), após um "Intervalo" anormalmente longo ("Intervalo" é o espaço de tempo entre uma "Passagem" e outra) e por isso os "Baluartes" desprezam o "Ninho" por acharem que este é inútil e os "Fios" não voltaram a cair.
Jora (a última rainha dos dragões viva) está perto da morte e na sua última postura tem um ovo de rainha na ninhada. F'lar, cavaleiro do Bronze Mnementh (Bronzes são os machos mais fortes, havendo também Castanhos e Azuis. As rainhas são Douradas e as fêmeas Verdes são inférteis), procura em Ruatha (o segundo "Baluarte" mais antigo e com mais tradições em fortes Mulheres-de-Ninho) uma jovem com o espírito suficientemente determinado para levar a bom porto a recuperação do prestígio dos "Ninhos" perante as gentes de Pern. Lessa encontra-se em Ruatha, sendo a última sobrevivente do sangue, após um ataque que eliminou toda a sua linhagem, dez "Turnos" antes, maquinando para a destruição de Fax (o senhor brutal que conquistou a seu "Baluarte"). Quando os cavaleiros de Dragão chegam, Lessa vê uma oportunidade de ver o seu direito reivindicado mas nem tudo corre como esperava... Apesar de F'lar matar Fax em duelo, este convence Lessa a abdicar do seu direito para o recém nascido Jaxom, e a seguir com ele para tentar impressionar a Rainha que está para nascer... Lessa torna-se Mulher-de-Ninho e cavaleira de Ramoth com F'lar como seu par e Chefe-de-Ninho... Tudo mais se desenrola de uma forma que prende o leitor ao livro, devorando páginas atrás de páginas...
Quem me dera ter um Dragão!!!

8 de abril de 2011

O Bailado das Estrelas

Spider e Jeanne Robinson, escritor e bailarina e coreógrafa, respetivamente, escreveram este belíssimo Stardance (primeiro volume de uma série de três, algo que só descobri a investigar para escrever esta "posta" - já comprei Stardance Trilogy), em que uma jovem, Sharra Drummond, perseguindo o seu sonho de ser uma grande bailarina, se vira para o espaço como palco para os seus bailados, por forma a suprir as suas limitações na Terra (leia-se: era alta e boa como o milho coisa que para uma bailarina é péssimo). Sharra vende o seu corpo a Carrington, dono do complexo orbital Skyfac (uma estação espacial privada) e multimilionário, em troca de um "palco" no firmamento. Consigo leva Charles Armstead, ex promessa do bailado e agora o melhor realizador e operador de câmara da arte, tornado cínico depois de ter levado um tiro na anca e perdido uma carreira que se avistava grande. Com o período de tempo no espaço limitado por o seu corpo estar-se a habituar à total ausência de gravidade, o que tornaria impossível o seu regresso à Terra, Sharra consegue treinar e executar dois bailados mas quando vai fazer o terceiro, que a lançaria definitivamente como uma Bailarina das Estrelas, Carrigton, com o aval do médico do complexo, quer trazer Sharra para a terra porque Sharra vale mais viva do que morta à Skyfac. Mas algo acontece que impede Sharra de voltar à Terra. Um grupo de extraterrestres aparece com más intenções e Sharra explica-lhes, dançando, o que é ser humano  e expulsa-os do Sistema Solar. Condenada, Sharra perde-se como um meteoro na atmosfera.
Ao contrário do que possa parecer isto é só prelúdio. A personagem principal é Charlie Armstead (também o narrador da história) que se junta a Norrey Drummond e a mais uns tantos para formar a companhia de bailados das estrelas e mais não conto para não estragar a surpresa. Enfim, um grande livro de FC, com descrições lindíssimas do espaço (especialmente Saturno) e que eu adoro reler.

3 de abril de 2011

Um Estranho Numa Terra Estranha

Robert A. Heinlen foi, durante largos anos, em conjunto com Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, considerado um dos Big Three da ficção científica. Heinlen contribuiu de forma inequívoca para mostrar ao grande público a FC. Escrito em 1961, tornou-se no primeiro best seller de Ficção Científica e um clássico de culto da contra cultura do anos 60, devido à sua temática de libertação sexual, à sua posição em relação à igreja e a todo o sabor anti establishment da nossa sociedade que só pensa no consumo e tenta aniquilar o indivíduo. Magistralmente bem escrito, elevando a fasquia da qualidade na FC, Um Estranho Numa Terra Estranha, conta a história de Valentine Michael Smith, um jovem humano mas com educação Marciana, que se vê confrontado com a nossa sociedade e todos os seus males. Por um acaso (ou não) acaba no reduto de Jubal Harshaw, autor, advogado, médico, filósofo, parasita, entre outras coisas, que o adota como filho e o ensina a ser humano. Jubal, por muitos considerado a personagem principal do livro, e também a voz de Heinlein no livro, é dono de uma compreensão da raça humana, não desprovida de algum cinismo, que leva a que Michael considere que o Pai Jubal, seja o mais Marciano dos homens. Um exemplo  de uma pérola de Jubal, que começa com uma conversa acerca de Rodin: "(...) uma pessoa tem de aprender a olhar para a arte. Mas cabe ao artista usar linguagem que possa ser entendida. Muitos destes brincalhões não querem usar uma linguagem que tu e eu possamos aprender; preferem escarnecer porque nós não «conseguimos» ver aquilo que eles querem dizer. Que não é nada. A obscuridade é o refúgio da incompetência (...)". Demais!!!
Michael, após muito tempo e muitas experiências, groca a raça humana, tornando-se num Messias, ensinado a língua Marciana, língua muito mais espiritual que as humanas, professando Tu ês Deus, e seguindo o caminho de todos os Messias: o martírio. Assim, como Jesus Cristo, consegue a força suficiente para as sementes da sua doutrina vingarem entre os homens e dar a Terra de presente para uma nova raça de semideuses.

31 de março de 2011

A Conquista das Estrelas 1 e 2

Outro dos meus favoritos, A Conquista das Estrelas (na edição portuguesa dividido em 2 volumes, Voyage From Yesteryear no original), trata de como o progresso cientifico pode fazer com que a humanidade passe a viver numa adhocracia (gostei tanto desta palavra :) ). A humanidade está novamente à beira de uma nova guerra mundial e um grupo internacional de cientistas decide enviar numa sonda de exploração apetrechada de maneira a criar, através de um pool genético constante nas bases de dados dos computadores da sonda e de úteros artificiais, um conjunto de seres humanos, uma vez que chegue a um planeta habitável, para, efetivamente, colonizar esse planeta, salvando assim a humanidade da extinção. A Kuan-Yin (nome da sonda) chega a Alfa de Centauro e descobre um planeta habitável, Chiron, e começa o seu programa de colonização.
Entretanto, na terra, a Guerra Mundial estala mas não leva à extinção a raça humana. Após alguns anos de dificuldades, novos blocos de poder se levantam e estes decidem ir tomar posse de Chiron. Devido ao facto de terem sido criados sem os preconceitos existentes na Terra e com a ajuda de robôs "maternais" que os educaram a fazer perguntas a si próprios sobre tudo o que os rodeia, os Chironianos têm outros planos quanto à posse do planeta. O livro descreve o choque entre a mentalidade que vem da Terra, baseada no capitalismo, com lutas de poder e o uso indiscriminado à força para impor ideologias e uma nova mentalidade, sem sistema económico que se veja, com a distribuição do poder baseada nos conhecimentos de de cada um para uma determinada área e com o reconhecimento de competências do individuo como moeda de troca.
A cultura da Terra é baseada nos recursos finitos e a cultura Chironiana é baseada nos recursos infinitos do espírito.
Um magnífico livro em que se descreve uma anarquia perfeitamente possível e nada utópica.

22 de março de 2011

Tigre! Tigre!


Este é daqueles livros que eu adoro. Houve uma altura da minha vida que o lia pelo menos uma vez por ano (e mais outros cinco ou seis que vou ler novamente para os blogar) desde que a minha mãe mo deu para me introduzir às maravilhas da Ficção Científica. Já o li mais de 15 vezes. Alfred Bester publicou este Tigre! Tigre! (o título é em honra do poema The Tyger de William Blake, mas também é conhecido como The Stars My Destination) em 1956. Discutivelmente, o primeiro romance cyberpunk da história da literatura, com todos os ingredientes que vieram a caracterizar o género, tais como corporações mais poderosas que os governos, em que os seus chefes são autênticos senhores feudais, um cenário de guerra eminente e global, humanos ciberneticamente melhorados e até uma bela e fogosa bandida (uma Trinity mas ruiva).
A acção passa-se no século XXIV, altura em que a humanidade descobre a forma de se teleportar (no livro Jauntar). Parece uma coisa boa mas o que é facto é que o sector dos transportes e das comunicações vão à vida e isso destrói o delicado equilíbrio económico em que a humanidade vive, colocando-a (outra vez) à beira de uma guerra, desta vez interplanetária. A sociedade regressou aos costumes vitorianos, aprisionando as mulheres, supostamente  para manter a sua castidade, devido a uma nova classe de bandidos que seguem a noite destruindo tudo à sua passagem (os chacais).
É no meio de todo este cenário que o nosso (anti) herói, Gulliver Foyle, o protótipo do homem comum, falho de qualquer ambição, se encontra, perdido algures no espaço, no meio de uns destroços, pronto a acordar para uma senda de vingança que o levará a tornar-se um novo Messias para a raça humana, mas sempre pelos caminhos mais dúbios e violentos.
Apesar de o ter lido e relido este Tigre! Tigre! continua a manter toda a força e beleza da sua mensagem.

17 de março de 2011

O Nome da Rosa

Humberto Eco, filósofo e crítico literário, começou a sua carreira de romancista com este Nome da Rosa, em 1980. Naquilo que começa por ser uma história policial na idade média (circa 1325), em que Guilherme de Baskerville - nome criado em honra de Guilherme de Occam  (frade Franciscano que, entre muitas outras coisas, criou a Occam's Razor, um postulado cientifico que diz que havendo várias soluções para um mesmo problema ) e de Sherlock Holmes com os seus Cães de Baskerville - e Adso de Melk vão até a uma Abadia investigar um crime entre os frades que tomam contam d'"a maior biblioteca da cristandade", acaba numa excelente crítica às disputas da igreja da altura. Os crimes merecem a maior descrição devido a um encontro importantíssimo que irá ter lugar na abadia, entre a facção do papa de Avinhão, João XXII, e os Franciscanos, alinhados com o Imperador. Guilherme, um frade franciscano forte opositor do papa, ex inquisidor, com provas dadas na descoberta da verdade através da lógica, vai de pista em pista (e de cadáver em cadáver) até a resolução final do mistério levando o leitor, ora a desconfiar de um frade ora a desconfiar de outro, como em todos os bons policiais. Pelo meio fica um tratado sobre as disputas de poder, a terrível realidade da inquisição, os vários pecados mortais e sobre a própria existência de Deus. Um livro que recomendo toda a gente a ler (uma dica: esqueçam as partes em latim. Não são precisas para a história)

24 de fevereiro de 2011

A Liga dos Cavalheiros Extraordinários II - Volume I e II

Esta nova aventura da Liga começa com Gullivar Jones (Lieutenant Gullivar Jones: His Vacation) e John Carter (A Princess of Mars) em Marte a lutar, com a ajuda dos Sorns (Out of The Silent Planet) contra uns moluscos viscosos ("malditos vermes do espaço" nas palavras de Mr. Hyde). Aquilo que parece ser o fim dos problemas de Marte são apenas o início dos problemas na terra e aqui, mais uma vez, A Liga é chamada para intervir. Inicialmente de mãos atadas, a Liga observa, impotente, a invasão destes seres do espaço cujo o único objectivo é a destruição de Londres. Após traições, luxúria e revelações surpreendentes, e quando tudo parece perdido os invasores são derrotados (tal como na Guerra dos Mundos, de onde são tirados estes invasores e os seus Tripods, a história acaba abruptamente ao estilo Deus Ex Machina). No fim a Liga fica destroçada, acabando o livro em Serpentine Park (futuro Hyde Park em honra a Mr. Hyde) com Quatermain e Miss Murray a despedirem-se. Mal posso esperar pelas próximas aventuras da Liga.

23 de fevereiro de 2011

A Liga dos Cavalheiros Extraordinários - Volume I e II

Alan Moore e Kevin O'Neill têm nesta Liga dos Cavalheiros Extraordinários uma criação fantástica. Partindo da premissa que as personagens dos livros vitorianos (Wilhelmina Murray do Dracula, Sherlock Holmes - na história morto há sete anos - ou Nemo das 20 000 Léguas Submarinas, por exemplo) existiram na realidade, Moore e O'Neill criam as aventuras de um grupo de improváveis heróis, juntos pelos serviços secretos Britânicos, para ajudar a gloriosa Albion, nos mais diversos problemas, todos eles fantásticos. Nesta primeira aventura (a edição portuguesa da Devir encontra-se dividida em 2 volumes) um tal de Campion Bond (avô do James Bond) convida Miss Murray a juntar a equipe. Seguindo no submarino de Nemo até ao Cairo, Miss Murray tenta convencer Quatermain (As Minas de Salomão) a abandonar o seu vício do ópio para, uma vez mais, servir a Inglaterra. As peripécias seguem até França para convidar (ou capturar) Dr Henry Jeckyll (O Estranho Caso de Dr. Jeckill e Mr. Hyde). De volta a Inglaterra a equipe fica completa com Hawley Griffin (O Homem Invisível). A partir daqui a história prossegue de forma vertiginosa até à conclusão, passando sempre por imensas referências literárias do séc. XIX ou principio do séc XX. Um traço fantástico, bem colorido e uma história bem tecida e escrita fazem destes 2 volumes da Devir um must em qualquer colecção de Banda Desenhada que se prese. Aconselho vivamente. PS: O filme é, pura e simplesmente, uma m**** comparado com os livros... Esqueçam!!!

21 de fevereiro de 2011

O Sarcófago

Tenho que admitir: Bilal sempre foi um pouco demais para mim, mas este O Sarcófago é fabuloso. Bilal e Pierre Christin criam uma brochura para apresentar, a ricos investidores, a proposta de tornar Chernobyl no "Museu dos Museus". Genial!!! Com desenhos intercalados com fotografias verdadeiras e os textos criados com citações de pessoas que estiveram no pesadelo (quer quando o acidente se deu quer depois nas operações de limpeza e contenção dos danos) o livro dá uma ideia, de forma jocosa, do horror que foi (é) Chernobyl. O Museu está dividido por 4 edifícios (tantos quanto os reactores) que por sua vez estão divididos por salas (Sala glasnost - O Fim da História, A Morte das Ideologias; O Zoo - onde estarão expostas as espécies animais e humanas em vias de extinção; A Sala dos Ricos - onde os visitantes poderão ver verdadeiros milionários dando assim a conhecer a vida dos ultra-ricos; A Sala das Armas - em que o patrocinador é a National Rifle Association; isto só para nomear algumas delas) excepto o Edifício 4 que é composto pelo próprio Sarcófago (a estrutura de cimento que foi criada para tentar conter a radiação). No meio disto tudo estão pérolas como "sugestão do comité de prefiguração: recrutar prioritariamente como recepcionistas jovens submetidos com sucesso a operações à tiróide" ou "não há nenhuma boa explicação para a ausência de um cientista estrangeiro entre nós" (citação). Para terminar "os guias encarregues de acompanhar os pequenos grupos até às entranhas do sarcófago serão constituídos por stalkers. Recrutados junto dos antigos liquidadores de Tchernobyl". Por 5 euros nos alfarrabista não há que enganar!!!

17 de fevereiro de 2011

Farewell To Arms

Neste Farewell to Arms, Hemingway escreve a história (mais ou menos autobiográfica) de um jovem Americano - Henry - que se torna condutor voluntário de ambulâncias em Itália, durante a I Guerra Mundial.
Neste cenário, Henry consegue apaixonar-se, ser ferido, recuperar num hospital em Milão, voltar à frente e desertar com a sua nova namorada para a Suíça e no fim... tudo corre mal...
O livro é muito bem escrito, lê-se a um ritmo estonteante mas, apesar de tudo, não gostei. Talvez porque a narrativa é escrita seguindo a linha de pensamento de Henry e com isso, ora se queda em contemplações descritivas (mas nada ao género das vitorianas tipo Jungle Book ou Frankenstein), ora salta em catadupa, de palavra em palavra (do género: ... and ... and ... and ... and ... and ...), conforme o estado de espírito do narrador.
Outra coisa que me irritou profundamente foi que, quando a felicidade parece ao alcance das personagens, as coisas dão para o torto amargamente.
Eu sei que a vida tem muitas coisas más e não é para brincadeiras mas Hemingway tem tanto trabalho a fazer com que o leitor goste das personagens e no fim acaba com elas.
Enfim, com este livro não estranho nada o suicídio de Hemingway.