14 de junho de 2011

1000

Durante este fim de semana passaram as 1000 visualizações. Obrigado a todos :)

9 de junho de 2011

O Cid, Campeador

Prosa épica baseada na Gesta Castelhana do séc. XIII, El Cantar del Mio Cid, adaptada por Arthur Lambert da Fonseca, conta a história de um herói da reconquista Ibérica, Rodrigo Díaz de Vivar, que viveu no século XI e que ganhou fama batalhando os mouros, culminando com a sua conquista de Valência.
Li novamente este livro porque foi, digamos, um percursor do meu gosto de fantasia. A minha mãe comprou-o num alfarrabista e ofereceu-me quando eu tinha uns 15 anos. Não me lembro se já tinha lido o Tolkien ou a Ursula Le Guin mas sempre gostei deste livro, apesar de agora, após alguma pesquisa, saber que a história do Cid não foi bem assim. Se gostam de fantasia, romances de cavalaria ou romances históricos e apanharem este livrinho num alfarrabista aproveitem porque é bem engraçado.

6 de junho de 2011

A Revolução Electrónica

William S. Burroughs propõe neste ensaio que "word is virus" - a palavra é um vírus - no sentido literal ((...) Falei frequentemente da palavra e da imagem como vírus ou agindo como vírus, e não é uma comparação alegórica. (...)) mas parece-me que Burroughs não sabia nada acerca do que é um vírus nem do que é a evolução das espécies. Propõe então que um vírus se alojou na garganta dos macacos e tornou-se benéfico ou simbiótico em vez de parasitário. Tal é impossível à luz do que se sabe hoje da natureza viral. O que é certo é que W. B. chega a conclusões verdadeiras através de premissas falsas (como tantas vezes acontece na ciência). A título de  exemplo, se se colocar gravações sonoras de motins numa manifestação ela deixará de ser pacífica rapidamente. Tais técnicas já foram usadas com eficácia por agitadores quer governamentais quer subversivos. Burroughs também propõe que a palavra escrita é aquilo que distingue o ser humano de outros seres e que através dela é possível transformar as gerações futuras. Não concordo que a escrita seja aquilo que nos diferencia dos outros seres mas sem dúvida que deixa uma marca no futuro da humanidade. Escrito com a técnica de cut-ups (Burroughs retira citações de várias fontes, sem dizer a sua origem, misturando com texto da sua autoria), algo próximo das colagens nas artes plásticas, o texto é de fácil leitura mas difícil de decifrar o seu verdadeiro conteúdo.
Um livro muito interessante mas que deverá ser lido mais que uma vez para ser completamente digerido.

27 de maio de 2011

Daenerys a Mãe dos Dragões

Este Daenerys a Mãe dos Dragões apresenta aos jovens (ou quem o quiser ler) o maravilhoso universo da série As Crónicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, através da história da última descendente da casa Targaryen, senhores dos sete reinos, depostos por Robert Baratheon, o Usurpador, que matou seu pai e seu irmão mais velho e a forçou ao exílio do outro lado do mundo com o irmão Viserys, à procura de um exército para reconquistar o trono. Viserys vende a irmã a Khal Drogo, chefe do maior Khalazar (líder de uma horda que fica a meio caminho entre os Índios da América do Norte e os Mongóis da China) por 10.000 cavaleiros Dothraki. As coisas não correm bem como Viserys espera, e Daenerys torna-se a verdadeira descendente dos dragões. Este pequeno livro é composto pelos capítulos dedicados a Deanerys nos dois primeiros  volumes das Crónicas de Gelo e Fogo, não trazendo nada de novo a quem já leu esses volumes, mas é interessante ver como a história se desenrola toda de seguida. Para quem estiver interessado mas não quiser comprar o pequeno volume pode sempre fazer o download da versão integral deste eBook aqui.

The Earthsea Quartet 3 de 4 - The Farthest Shore

Algo de grave acontece em Earthsea, quando nos confins do mundo aparecem rumores de que a magia nunca existiu, as canções começam a desaparecer e os homens sacrificam as suas crianças em altares... Arren, um jovem príncipe das ilhas Enlad, chega a Roke, com notícias perturbadoras de que também na sua ilha, terra de Morred, as palavras da verdadeira fala estão se a perder. Num ato irrefletido de lealdade, Arren joga-se aos pés do Arquimago, jurando servi-lo enquanto for preciso. Ged e Arren (Lebannen de seu nome verdadeiro; e que quer dizer Rowan Tree na fala orginal - sorveira brava) seguem no Lookfar (barco já mítico de Ged) até aos confins do sul, onde as regras mudam e onde surgiram as primeiras notícias de mudança. Arren começa a conhecer o mundo e a si próprio, enveredando também numa viagem de auto-conhecimento, que começa com uma criança e acaba com um homem... Após várias peripécias, como se de um romance policial se tratasse, seguem de pista em pista até que Lookfar segue o dragão Orm, até Selidor, a ilha mais longe, na qual se encontra Cob, a nemesis de Ged, quem sabe mais poderoso que este, e que na sua ânsia de poder destrói o equilíbrio do mundo, abrindo uma ferida neste (um pouco como Ged o fez no primeiro livro). Com a ajuda preciosa do dragão, Ged e Arren seguem Cob para a terra seca, onde as estrelas nunca se põem, e sacrificando toda a sua arte e quase a vida, Ged fecha o buraco do mundo e torna-o inteiro novamente. Arren arrasta-se e a Ged pelas montanhas da Dor e consegue voltar novamente para o mundo dos vivos pelo caminho mais comprido e difícil.
The Farthest Shore (A Praia Mais Longínqua na Presença e O Outro Lado do Mundo na Argonauta) é a conclusão perfeita da mais bela trilogia de fantasia que eu já li, na qual só com grandes sacrifícios as coisas importantes são realmente feitas.

17 de maio de 2011

The Earthsea Quartet 2 de 4 - The Tombs of Atuan

The Tombs of Atuan (Os Túmulos de Atuan ou Os Túmulos de Atuan mas eu apontava para a tradução da Livros do Brasil pelo Eurico da Fonseca) conta a história da procura do Anel de Erreth-Akbe, perdido há muitos séculos, e que leva Ged até às terras Kargad, mais precisamente à ilha de Atuan. Aí, perdido no meio do deserto, existe um templo erguido em nome de um dos antigos poderes da terra, com uma sacerdotisa, Arha, a Devorada, The One Priestess, para sempre renascida. No dia e na hora em que morre a Arha-que-foi, partem dos Túmulos pessoas em busca da Arha-que-é, procurando todas as meninas que nasceram nessa altura, ao estilo do Dalai Lama. Assim, uma menina de 5 anos, chamada Tenar, é arrancada dos braços da mãe e levada para os Túmulos para cumprir o seu destino eterno e se tornar Arha. Os dias no templo vão-se passando e Arha não encaixa bem na rotina é norma. Um dia, um ladrão tenta roubar os Túmulos - Ged. Arha engana o mago e este entra num labirinto do qual não pode sair. A sacerdotisa, para satisfazer a sua curiosidade, interroga o prisioneiro acerca das suas motivações e das artes mágicas, que não existem nas terras Kargad, acabando por descobrir que a prisioneira era ela. Ged mostra-lhe aquilo que ela pode ser e esta escolhe ser Tenar fugindo com Ged dos Túmulos, levando consigo o Anel de Erreth-Akbe. Mais uma vez a beleza e a simplicidade da escrita de Le Guin impressionam, levando o leitor a devorar as páginas deste livro, que se debruça sobre o auto conhecimento, sobre o destino que podemos dar às nossas vidas e sobre as escolhas que fazemos e como elas nos afetam. E para terminar: "(...) Freedom  is a heavy load, a great and strange burden for the spirit to undertake. (...) It is not a gift given, but a choice made, and the choice may be a hard one. The road goes upward towards the light; but the laden traveller may never reach the end of it. (...)" ("A liberdade é um fardo pesado, um grande e estranho fardo para o espírito absorver. (...) Não é um prémio dado, mas uma escolha feita, e essa escolha pode ser bem dura. A estrada sobe até à luz; mas o viajante carregado pode nunca chegar até ao fim."

5 de maio de 2011

The Earthsea Quartet 1 de 4 - A Wizard of Earthsea

The Earthsea Quartet é composto por quatro livros que contam as aventuras e desventuras de Ged, o Gavião (Sparrowhawk no original). O primeiro, A Wizard of Earthsea (O Feiticeiro de Terramar ou O Feiticeiro e a Sombra em Português) principia em Gont, uma ilha famosa pelos seus cabreiros, marinheiros e mágicos, numa aldeia remota das montanhas onde o jovem Ged dá mostras, pela primeira vez, do seu poder imenso. Ogion, o silencioso, toma o rapaz como pupilo e tenta-lhe ensinar aquilo que lhe falta. Não o poder, que isso ele tem demais, mas paciência. Ged não se contenta e Ogion envia-o ao Arquimago em Roke, a ilha dos sábios, para que ele aprenda as mais altas artes mágicas, recomendando-o como "(...) one who willbe greatest of the wizards of Gont (...)". Ged torna-se o mais rápido aprendiz de Roke até que, por orgulho e despeito, abre uma fenda no tecido do mundo, libertando uma Sombra que o deforma e tenta destruir. Quando Ged finalmente se torna um Mágico (processo muito moroso porque a Sombra destrói toda a sua confiança) este parte primeiro como presa e depois como caçador numa demanda de auto conhecimento, que o leva a enfrentar dragões e os antigos poderes da terra, até aos confins do mundo conhecido, numa tentativa de descobrir o nome verdadeiro da Sombra, chegando à conclusão de que a Sombra é uma parte dele mesmo e que só pode ter um nome: Ged!
Le Guin é uma fantástica contadora de histórias e tem nestes livros a mais bela descrição de magia que eu já li: o poder vem de saber os verdadeiros nomes das coisas, nomeados por Segoy (Deus) no início dos tempos e que a realidade é uma grande palavra para sempre proferida até ao fim dos tempos ("For magic consists in this, the true naming of a thing"). Quando o encantamento é feito ele é "tecido" com palavras e movimentos ("(...) he wove on the wind's loom a sail of spells, a square sail white as the snows on Gont Peak above. At this the women watching sighed with envy. (...)" - "(...) ele teceu no tear do vento uma vela de encantamentos, uma vela quadrada branca como as neves do Gont Peak. As mulheres que observavam suspiraram de inveja (...)"). Lindo!!!

15 de abril de 2011

500 Visitas!!!

Obrigado amigos por visitarem o meu Blogue!!! Se gostam, por favor, divulguem.

14 de abril de 2011

O Dragão Branco (1 e 2)

O Dragão Branco (novamente em dois volumes na coleção Argonauta e em um volume na coleção da Gailivros) é o fim da trilogia Dragonriders of Pern. Conta a história do jovem Senhor Jaxom, órfão de Pai e de Mãe, herdeiro do Baluarte de Ruatha, por Lessa, agora Mulher-de-Ninho de Benden, ter abdicado em seu favor, e cavaleiro de Dragão de Ruth, um pequeno Dragão Branco, que Jaxom salvou de morte certa, quando o seu ovo estava prestes a ser abandonado por todas as outras pessoas por ser mais pequeno. e não ter aberto de imediato. Esta Impressão causou grandes problemas aos Chefes de Benden porque Lessa apenas abdicou Ruatha para o jovem Jaxom e os outros Senhores de Baluarte insistem que Ruth seja criado no Ninho. Inicialmente todos sentem que o pequeno Dragão não irá viver muito tempo (todos expecto os seus pais: Ramoth e Mnementh) por isso deixam Jaxom tome conta de Ruth no seu Baluarte. Isto cria ainda mais problemas porque Lytol, Guardião de Ruatha e tutor de Jaxom, a pessoa que o jovem mais quer agradar, é um ex Cavaleiro de Dragão, que perdeu o seu animal num acidente e sofre imenso com isso. Ruth cresce e mostra-se saudável, apesar de diferente, e revela-se o Dragão mais inteligente de todos, atingindo uma cumplicidade com Jaxom única e tornando-se um Dragão muito apreciado entre os seus pares e entre todos os Cavaleiros de Pern. Anne McCaffrey continua aqui neste livro a mostrar toda a sua qualidade na escrita, desenvolvendo mais um pouco o complexo e maravilhoso mundo de Pern.

12 de abril de 2011

O Planeta dos Dragões (1, 2 e 3)

O Planeta dos Dragões, nesta edição da Argonauta, é composto por três volumes que contêm duas obras:  Dragonflight e Drangonquest (que foram alvo de nova edição em português pela editora Gailivro, na coleção Mil e Um Mundos, O Voo do DragãoA Demanda do Dragão). Anne McCaffrey, autora americana, tem como principal obra esta série, Dragonriders of Pern, composta por mais de 20 livros, que já foi premiada com os mais prestigiados prémios de Ficção Científica. Pern é um planeta descoberto e colonizado pelos humanos, muitos milénios antes da ação dos livros, apesar de no presente tempo ter regredido para uma Idade Média feudal, em que Dragões foram criados a partir de uma espécie de lagartos voadores.
A razão desses Dragões terem sido criados prende-se com o facto de um pequeno planeta, com uma orbita errante, a Estrela Vermelha, quando a conjugação de vários planetas o permite, liberta uns esporos (os "Fios") que atravessam o vazio em direção a Pern, destruindo toda a matéria orgânica em que tocam, durante vários "Turnos", a que corresponde a uma "Passagem". Assim, as criaturas aladas, que "comem" "pedra-de-fogo" e lançam chamas em pleno ar, fazem parte da proteção que os "Antigos" criaram para proteger Pern dos Fios. Outra característica que os Dragões possuem é poderem deslocar-se, instantaneamente, "entre" locais e "entre" tempos, bastando para isso o seu cavaleiro visualizar o local para onde deseja deslocar-se. Entre Dragões e Cavaleiros existe uma ligação empática muito forte, sendo que o Dragãozinho quando nasce, é "Impressionado" pelo seu futuro cavaleiro, "Impressão" essa que é para toda a vida. Pern criou uma estrutura social peculiar, em que os "Baluartes" (os feudos) dão um dízimo aos "Ninhos", porque os Cavaleiros têm que cuidar dos seus Dragões e viver em locais inóspitos.
Esta série de livros começa com os "Ninhos" em decadência (só um está ativo, Benden, após o desaparecimento misterioso de cinco, e com uns escassos duzentos Dragões em vez dos mil possíveis), após um "Intervalo" anormalmente longo ("Intervalo" é o espaço de tempo entre uma "Passagem" e outra) e por isso os "Baluartes" desprezam o "Ninho" por acharem que este é inútil e os "Fios" não voltaram a cair.
Jora (a última rainha dos dragões viva) está perto da morte e na sua última postura tem um ovo de rainha na ninhada. F'lar, cavaleiro do Bronze Mnementh (Bronzes são os machos mais fortes, havendo também Castanhos e Azuis. As rainhas são Douradas e as fêmeas Verdes são inférteis), procura em Ruatha (o segundo "Baluarte" mais antigo e com mais tradições em fortes Mulheres-de-Ninho) uma jovem com o espírito suficientemente determinado para levar a bom porto a recuperação do prestígio dos "Ninhos" perante as gentes de Pern. Lessa encontra-se em Ruatha, sendo a última sobrevivente do sangue, após um ataque que eliminou toda a sua linhagem, dez "Turnos" antes, maquinando para a destruição de Fax (o senhor brutal que conquistou a seu "Baluarte"). Quando os cavaleiros de Dragão chegam, Lessa vê uma oportunidade de ver o seu direito reivindicado mas nem tudo corre como esperava... Apesar de F'lar matar Fax em duelo, este convence Lessa a abdicar do seu direito para o recém nascido Jaxom, e a seguir com ele para tentar impressionar a Rainha que está para nascer... Lessa torna-se Mulher-de-Ninho e cavaleira de Ramoth com F'lar como seu par e Chefe-de-Ninho... Tudo mais se desenrola de uma forma que prende o leitor ao livro, devorando páginas atrás de páginas...
Quem me dera ter um Dragão!!!