31 de março de 2011

A Conquista das Estrelas 1 e 2

Outro dos meus favoritos, A Conquista das Estrelas (na edição portuguesa dividido em 2 volumes, Voyage From Yesteryear no original), trata de como o progresso cientifico pode fazer com que a humanidade passe a viver numa adhocracia (gostei tanto desta palavra :) ). A humanidade está novamente à beira de uma nova guerra mundial e um grupo internacional de cientistas decide enviar numa sonda de exploração apetrechada de maneira a criar, através de um pool genético constante nas bases de dados dos computadores da sonda e de úteros artificiais, um conjunto de seres humanos, uma vez que chegue a um planeta habitável, para, efetivamente, colonizar esse planeta, salvando assim a humanidade da extinção. A Kuan-Yin (nome da sonda) chega a Alfa de Centauro e descobre um planeta habitável, Chiron, e começa o seu programa de colonização.
Entretanto, na terra, a Guerra Mundial estala mas não leva à extinção a raça humana. Após alguns anos de dificuldades, novos blocos de poder se levantam e estes decidem ir tomar posse de Chiron. Devido ao facto de terem sido criados sem os preconceitos existentes na Terra e com a ajuda de robôs "maternais" que os educaram a fazer perguntas a si próprios sobre tudo o que os rodeia, os Chironianos têm outros planos quanto à posse do planeta. O livro descreve o choque entre a mentalidade que vem da Terra, baseada no capitalismo, com lutas de poder e o uso indiscriminado à força para impor ideologias e uma nova mentalidade, sem sistema económico que se veja, com a distribuição do poder baseada nos conhecimentos de de cada um para uma determinada área e com o reconhecimento de competências do individuo como moeda de troca.
A cultura da Terra é baseada nos recursos finitos e a cultura Chironiana é baseada nos recursos infinitos do espírito.
Um magnífico livro em que se descreve uma anarquia perfeitamente possível e nada utópica.

22 de março de 2011

Tigre! Tigre!


Este é daqueles livros que eu adoro. Houve uma altura da minha vida que o lia pelo menos uma vez por ano (e mais outros cinco ou seis que vou ler novamente para os blogar) desde que a minha mãe mo deu para me introduzir às maravilhas da Ficção Científica. Já o li mais de 15 vezes. Alfred Bester publicou este Tigre! Tigre! (o título é em honra do poema The Tyger de William Blake, mas também é conhecido como The Stars My Destination) em 1956. Discutivelmente, o primeiro romance cyberpunk da história da literatura, com todos os ingredientes que vieram a caracterizar o género, tais como corporações mais poderosas que os governos, em que os seus chefes são autênticos senhores feudais, um cenário de guerra eminente e global, humanos ciberneticamente melhorados e até uma bela e fogosa bandida (uma Trinity mas ruiva).
A acção passa-se no século XXIV, altura em que a humanidade descobre a forma de se teleportar (no livro Jauntar). Parece uma coisa boa mas o que é facto é que o sector dos transportes e das comunicações vão à vida e isso destrói o delicado equilíbrio económico em que a humanidade vive, colocando-a (outra vez) à beira de uma guerra, desta vez interplanetária. A sociedade regressou aos costumes vitorianos, aprisionando as mulheres, supostamente  para manter a sua castidade, devido a uma nova classe de bandidos que seguem a noite destruindo tudo à sua passagem (os chacais).
É no meio de todo este cenário que o nosso (anti) herói, Gulliver Foyle, o protótipo do homem comum, falho de qualquer ambição, se encontra, perdido algures no espaço, no meio de uns destroços, pronto a acordar para uma senda de vingança que o levará a tornar-se um novo Messias para a raça humana, mas sempre pelos caminhos mais dúbios e violentos.
Apesar de o ter lido e relido este Tigre! Tigre! continua a manter toda a força e beleza da sua mensagem.

17 de março de 2011

O Nome da Rosa

Humberto Eco, filósofo e crítico literário, começou a sua carreira de romancista com este Nome da Rosa, em 1980. Naquilo que começa por ser uma história policial na idade média (circa 1325), em que Guilherme de Baskerville - nome criado em honra de Guilherme de Occam  (frade Franciscano que, entre muitas outras coisas, criou a Occam's Razor, um postulado cientifico que diz que havendo várias soluções para um mesmo problema ) e de Sherlock Holmes com os seus Cães de Baskerville - e Adso de Melk vão até a uma Abadia investigar um crime entre os frades que tomam contam d'"a maior biblioteca da cristandade", acaba numa excelente crítica às disputas da igreja da altura. Os crimes merecem a maior descrição devido a um encontro importantíssimo que irá ter lugar na abadia, entre a facção do papa de Avinhão, João XXII, e os Franciscanos, alinhados com o Imperador. Guilherme, um frade franciscano forte opositor do papa, ex inquisidor, com provas dadas na descoberta da verdade através da lógica, vai de pista em pista (e de cadáver em cadáver) até a resolução final do mistério levando o leitor, ora a desconfiar de um frade ora a desconfiar de outro, como em todos os bons policiais. Pelo meio fica um tratado sobre as disputas de poder, a terrível realidade da inquisição, os vários pecados mortais e sobre a própria existência de Deus. Um livro que recomendo toda a gente a ler (uma dica: esqueçam as partes em latim. Não são precisas para a história)

24 de fevereiro de 2011

A Liga dos Cavalheiros Extraordinários II - Volume I e II

Esta nova aventura da Liga começa com Gullivar Jones (Lieutenant Gullivar Jones: His Vacation) e John Carter (A Princess of Mars) em Marte a lutar, com a ajuda dos Sorns (Out of The Silent Planet) contra uns moluscos viscosos ("malditos vermes do espaço" nas palavras de Mr. Hyde). Aquilo que parece ser o fim dos problemas de Marte são apenas o início dos problemas na terra e aqui, mais uma vez, A Liga é chamada para intervir. Inicialmente de mãos atadas, a Liga observa, impotente, a invasão destes seres do espaço cujo o único objectivo é a destruição de Londres. Após traições, luxúria e revelações surpreendentes, e quando tudo parece perdido os invasores são derrotados (tal como na Guerra dos Mundos, de onde são tirados estes invasores e os seus Tripods, a história acaba abruptamente ao estilo Deus Ex Machina). No fim a Liga fica destroçada, acabando o livro em Serpentine Park (futuro Hyde Park em honra a Mr. Hyde) com Quatermain e Miss Murray a despedirem-se. Mal posso esperar pelas próximas aventuras da Liga.

23 de fevereiro de 2011

A Liga dos Cavalheiros Extraordinários - Volume I e II

Alan Moore e Kevin O'Neill têm nesta Liga dos Cavalheiros Extraordinários uma criação fantástica. Partindo da premissa que as personagens dos livros vitorianos (Wilhelmina Murray do Dracula, Sherlock Holmes - na história morto há sete anos - ou Nemo das 20 000 Léguas Submarinas, por exemplo) existiram na realidade, Moore e O'Neill criam as aventuras de um grupo de improváveis heróis, juntos pelos serviços secretos Britânicos, para ajudar a gloriosa Albion, nos mais diversos problemas, todos eles fantásticos. Nesta primeira aventura (a edição portuguesa da Devir encontra-se dividida em 2 volumes) um tal de Campion Bond (avô do James Bond) convida Miss Murray a juntar a equipe. Seguindo no submarino de Nemo até ao Cairo, Miss Murray tenta convencer Quatermain (As Minas de Salomão) a abandonar o seu vício do ópio para, uma vez mais, servir a Inglaterra. As peripécias seguem até França para convidar (ou capturar) Dr Henry Jeckyll (O Estranho Caso de Dr. Jeckill e Mr. Hyde). De volta a Inglaterra a equipe fica completa com Hawley Griffin (O Homem Invisível). A partir daqui a história prossegue de forma vertiginosa até à conclusão, passando sempre por imensas referências literárias do séc. XIX ou principio do séc XX. Um traço fantástico, bem colorido e uma história bem tecida e escrita fazem destes 2 volumes da Devir um must em qualquer colecção de Banda Desenhada que se prese. Aconselho vivamente. PS: O filme é, pura e simplesmente, uma m**** comparado com os livros... Esqueçam!!!

21 de fevereiro de 2011

O Sarcófago

Tenho que admitir: Bilal sempre foi um pouco demais para mim, mas este O Sarcófago é fabuloso. Bilal e Pierre Christin criam uma brochura para apresentar, a ricos investidores, a proposta de tornar Chernobyl no "Museu dos Museus". Genial!!! Com desenhos intercalados com fotografias verdadeiras e os textos criados com citações de pessoas que estiveram no pesadelo (quer quando o acidente se deu quer depois nas operações de limpeza e contenção dos danos) o livro dá uma ideia, de forma jocosa, do horror que foi (é) Chernobyl. O Museu está dividido por 4 edifícios (tantos quanto os reactores) que por sua vez estão divididos por salas (Sala glasnost - O Fim da História, A Morte das Ideologias; O Zoo - onde estarão expostas as espécies animais e humanas em vias de extinção; A Sala dos Ricos - onde os visitantes poderão ver verdadeiros milionários dando assim a conhecer a vida dos ultra-ricos; A Sala das Armas - em que o patrocinador é a National Rifle Association; isto só para nomear algumas delas) excepto o Edifício 4 que é composto pelo próprio Sarcófago (a estrutura de cimento que foi criada para tentar conter a radiação). No meio disto tudo estão pérolas como "sugestão do comité de prefiguração: recrutar prioritariamente como recepcionistas jovens submetidos com sucesso a operações à tiróide" ou "não há nenhuma boa explicação para a ausência de um cientista estrangeiro entre nós" (citação). Para terminar "os guias encarregues de acompanhar os pequenos grupos até às entranhas do sarcófago serão constituídos por stalkers. Recrutados junto dos antigos liquidadores de Tchernobyl". Por 5 euros nos alfarrabista não há que enganar!!!

17 de fevereiro de 2011

Farewell To Arms

Neste Farewell to Arms, Hemingway escreve a história (mais ou menos autobiográfica) de um jovem Americano - Henry - que se torna condutor voluntário de ambulâncias em Itália, durante a I Guerra Mundial.
Neste cenário, Henry consegue apaixonar-se, ser ferido, recuperar num hospital em Milão, voltar à frente e desertar com a sua nova namorada para a Suíça e no fim... tudo corre mal...
O livro é muito bem escrito, lê-se a um ritmo estonteante mas, apesar de tudo, não gostei. Talvez porque a narrativa é escrita seguindo a linha de pensamento de Henry e com isso, ora se queda em contemplações descritivas (mas nada ao género das vitorianas tipo Jungle Book ou Frankenstein), ora salta em catadupa, de palavra em palavra (do género: ... and ... and ... and ... and ... and ...), conforme o estado de espírito do narrador.
Outra coisa que me irritou profundamente foi que, quando a felicidade parece ao alcance das personagens, as coisas dão para o torto amargamente.
Eu sei que a vida tem muitas coisas más e não é para brincadeiras mas Hemingway tem tanto trabalho a fazer com que o leitor goste das personagens e no fim acaba com elas.
Enfim, com este livro não estranho nada o suicídio de Hemingway.

16 de fevereiro de 2011

Copos, Balas & Gajas

Esta nova edição da série Sin City, editada pela Devir, junta várias pequenas histórias num só volume.
Desta vez, Frank Miller usa apontamentos de cor, ao estilo de Aquele Sacana Amarelo, no meio do grafismo preto e branco já habitual. Devo dizer que dos 6 livros já editados este é o que gosto menos. Não quero dizer com isto que é mau. Apenas não é tão bom como os outros... O Marv continua a minha personagem favorita: tanto na Mais Uma Noite de Sábado como na Noite Silenciosa o bruto faz de cavaleiro andante improvável, lutando pelos pobres e desprotegido, como só ele sabe fazer: a doer.
As histórias Fat Man e Little Boy, Ratos e A Menina do Papá, para mim, são as mais fraquinhas. Servem para dar mais "cor" ao universo de Basin City.
O resto é ao nível do que se espera do Frank Miller (ao todo são 11 histórias). Só um último apontamento: uma das histórias - O Cliente Tem Sempre Razão - é o início do filme... Gosto muito ;)

Valores Familiares

Neste Valores Familiares, Frank Miller mostra tudo aquilo que vale,  mantendo o grafismo de alto contraste a preto e branco, fiel as suas origens film noir. A história tem o ritmo pautado pela escalada de violência, que me levou a virar as páginas cada vez mais depressa... Desta feita as personagens principais são Dwight e Miho, que seguem numa senda assassina de vingança... Mas o que é engraçado é que o bruiser praticamente não faz mais que ir explicando a história enquanto a Miho corta tudo às postas... literalmente.
A delicada e oriental Miho, que se desloca em cima de uns patins como se flutuasse, aparece em cena para concretizar aquilo que Dwight vai calmamente prometendo aos infelizes que lhes vão passando pelas mãos...
Enfim, mais um capítulo da saga Sin City, ao nível de todos os outros e que eu recomendo a toda a gente.

15 de fevereiro de 2011

A Sangue Frio

No passado dia 1 acabei este A Sangue Frio de Truman Capote. Supostamente, é o primeiro livro do género Não Ficção e o primeiro de True Crime, mas há quem discorde... Confusões à parte, o que é certo é que este livro é uma obra prima. Aquilo que começa por ser uma crónica massuda de uma família do interior dos Estado Unidos e de dois bandidos de pé de chinelo acaba por se revelar uma profunda reflexão sobre a violência nos Estados Unidos e no ser humano em geral... Se no início não há qualquer dúvida de que o crime foi bárbaro e hediondo e que os assassinos deviam ser pendurados pelo pescoço (como foram), no fim a sensação que fica é que todos são vítimas: a família Clutter e os assassinos, Perry Smith e Richard Hickock.
Capote, após 8000 páginas de notas e quase 6 anos de investigação, consegue fazer com que toda narrativa "salte" cá para fora, desenrolando-se na imaginação do leitor como se este tivesse presenciado os acontecimentos. E no fim não consegui deixar de me sentir culpado pelos acontecimentos de Holcomb...
A tradução da D. Quixote está muito boa e consegue manter todo o ritmo que Capote imprimiu ao seu original. Um livro fantástico que recomendo a toda a gente!