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4 de junho de 2013

A Dance With Dragons

Desculpem lá, mas estou farto! Martin tem tantas pontas soltas que não sabe para onde se virar. Não vejo o fim em mais dois volumes. As personagens estão cada vez mais embrulhadas no enredo sem um fim à vista. Algumas nem são faladas (por exemplo o que passa com Rickon? Nem uma linha num volume de novecentas páginas?). O texto continua a ser muito bem escrito, sem qualquer dúvida, mas a novidade (apesar de ter sido a primeira vez que li este volume) foi-se. Os únicos momentos em que fui realmente surpreendido foi quando Martin mata uma das personagens principais, quase mesmo no fim do livro, só para o leitor ter uma razão para comprar o próximo volume. Esta série está-me a fazer lembrar o Eragon, que começou de forma excelente e que a meio do terceiro volume (que devia ser o último) começa a engonhar, a engonhar, até que no fim aparece "continua no próximo volume". Talvez aqui no A Dance With Dragons seja ao contrário: no início é a engonhar, a engonhar e no fim tudo acontece de repente. Na altura em que estamos interessados, aparece "Epílogo".
Quanto à história, as coisas vão avançando com maus a ficarem bons, bons a ficarem maus e as personagens que mais gostamos a morrerem... Não foi assim que começou? Cinco volumes de novecentas páginas para a Daenerys voar o Drogon? Esqueçam lá isso e leiam a saga de Earthsea, da Ursula Le Guin, ou o Elric de Melniboné, do Michael Moorcock.

3 de junho de 2013

A Feast For Crows

Quando Martin começou a escrever este livro tinha ideia em acabar a série em cinco volumes mas a história alongou-se, fazendo com que o conteúdo de A Feast For Crows, seja acompanhado por A Dance With Dragons, cujas histórias correm em paralelo, com um conjunto de personagens diferentes para cada livro.
O livro sofre com a ambição desmedida de Martin. Com o número de personagens e eventos que se sucedem em catadupa, o texto começa a arrastar-se e a perder aquele ritmo alucinante dos primeiros volumes. Não que o texto seja mal elaborado, antes pelo contrário. Não é no ritmo da escrita que está o pecado mas sim no ritmo da história, que se arrasta penosamente.
Cersei tem finalmente o poder absoluto mas a arte da intriga é muito diferente da arte de governar e o seu poder escapa-lhe como areia das suas mãos. Para piorar as coisas, após alguns desentendimentos, envia o irmão Jaime para resolver os problemas nas Riverlands, último bastião de apoio a Robb Stark. Especial atenção neste livro têm Dorne e as Iron Islands, com as respectivas famílias líder a tentarem chegar a Daenerys, considerada por alguns a legítima herdeira do Iron Throne.
Enfim, para mim a série está a perder qualidades e não aguenta muito bem ser lida segunda vez (ao contrário do Tolkien, da Ursula Le Guin ou do Michael Moorcock), mas vamos lá ver como sai o próximo.

30 de maio de 2013

A Storm of Swords

A Guerra dos Cinco Reis continua em força e Catelyn Stark comete uma traição terrível por amor às filhas, que julga estarem em posse de Cersei Lannister, em Kings Landing. Por causa desta traição, Robb Stark perde o apoio de alguns dos seus aliados, ficando numa posição ainda mais delicada. Para cúmulo, anuncia que se casou com Jeyne Westerling, quebrando o pacto que tinha com os Frey, no qual Robb comprometera-se a casar com a filha de Walder Frey, Senhor das Gémeas, duas fortificações iguais em cada lado do Rio Tridente. Entretanto os Greyjoy conseguem conquistar o Norte e Winterfell.
Arya Stark encontra-se com a Brotherhood Without Banners, chefiadas por Lord Beric Dondarrion, que tinha sido enviado por Ned Stark para acabar com a pilhagem Lannister nas terras do Tridente. Após algumas aventura, Sandor Clegane, o Cão, rapta Arya para tentar entregá-la à sua mãe, em troca de um resgate. Quando chegam ao seu destino, as Gémeas, o bastião da família Frey, algo está a correr muito mal. O Cão sente o cheiro a sangue e salva Arya, contra sua vontade, de um destino terrível. O Cão fere-se num combate e Arya abandona-o à sua sorte seguindo depois para a cidade de Braavos onde procura tornar-se uma Assassina Sem Cara.
Entretanto, em King's Landing, no rescaldo da Batalha do Blackwater, Joffrey desfaz o seu noivado com Sansa Stark para se casar com Margery Tyrell, cujo Pai salvou a cidade da fúria de Stannis Baratheon que, depois da derrota, volta com o rabo entre as pernas para Dragonstone, a sua praça forte.
No casamento Joffrey morre envenenado e Cersei acusa seu irmão Tyrion de ter assassinado o sobrinho. As coisas estão muito más para Tyrion, com Cersei a arranjar testemunhas de acusação em cada esquina. Mais uma vez Tyrion pede um julgamento por combate que o seu campeão, o Príncipe Oberyn Martell de Dorne, quase que vence, mas no fim, quando Tyrion parece condenado, seu irmão Jaime, que nunca acreditou na culpa de Tyrion, liberta-o com a ajuda de Varys, o Senhor das Aranhas, nome dado ao chefe da espionagem do Rei.
Muito mais se passa no mundo, principalmente na Muralha, onde John Snow mete-se em grandes alhadas com os Wildlings e acaba Lord of The Night Watch.
O epílogo do livro reserva uma grande surpresa...

7 de março de 2013

A Clash of Kings

Acabei o segundo volume da saga A Song of Fire and Ice de George R. R. Martin, A Clash of Kings e devo dizer que há uma melhoria em relação ao primeiro livro. Cada vez há mais personagens a interagirem umas com as outras e as decisões que são tomadas afetam todo o mundo de Westeros. Quando o Rei Robert morre, problemas de sucessão se levantam, o que lança os Sete Reinos na guerra civil. Reis aparecem como cogumelos, tentando assegurar o Iron Throne. Joffrey Baratheon, Stannis Baratheon e Renly Baratheon, filho mais velho, irmão mais velho e irmão mais novo, respetivamente, do falecido Rei, reclamam o trono pelas suas, supostas, ligações familiares ao defunto, Robert Stark proclama-se Rei do Norte devido aos maus tratos a que o seu Pai foi submetido pelo Rei Joffrey, Balon Greyjoy proclama-se Rei das Iron Islands e ataca toda a costa Oeste do Norte.
Entretanto, na muralha, os Wildlings (humanos que se dizem livres e que vivem a Norte da muralha) estão a juntar-se sob o comando de um único homem, Mance Rayder, que se intitula Rei-para-além-da-muralha, com o objetivo de invadir o Sul, para fugir aos Others, que, definitivamente, não são humanos. John Snow é obrigado a escolhas muito difíceis, o que faz com que ele fique ainda mais maduro.
No Este, Daenerys Targaryen, após muitas peripécias, muito sofrimento e muito sacrifício, consegue chocar três ovos de dragão e começa a sua viagem com o objetivo de reconquistar Westeros.
Aria Stark, filha mais nova de Ed Stark, após ver o pai ser decapitado, tenta fugir para Norte, procurando a sua mãe, o que não vai ser nada fácil. O seu irmão, Rob Stark, o Rei do Norte para os seus vassalos, vence várias batalhas no terreno aos Lannisters. Tyrion Lannister é enviado como mão do Rei por seu pai, Tywin Lannister, para ajudar o seu sobrinho Joffrey a reinar (no fundo reinar por ele) e, apesar da oposição de Cersei, sua irmã e Rainha Regente, consegue defender a capital, Kings Landing, e destruir a frota de Stannis Baratheon, sofrendo grandes ferimentos.
Como podem ver há muito para ler e muito mais vem a caminho. A ler!

12 de janeiro de 2013

A Game of Thrones

Acabei de ler, pela segunda vez, este Game of Thrones, da série de fantasia Song of Fire and Ice, de George R. R. Martin. Desta vez fi-lo em inglês e ainda bem que o fiz porque o texto é muito melhor. A tradução portuguesa está muito bem escrita (o português é de qualidade, o ritmo de leitura muito rápido e próximo do original) mas desvia-se em estilo, uma vez que o original usa alguns termos ingleses mais arcaicos que dão um certo glamour ao texto (por exemplo: em vez de escrever "I'm going to eat my breakfast" Martin escreve "I'm going to break my fast").
Martin cria um elenco enorme de personagens, todas elas credíveis e interessantes, usando um estilo de escrita que eu chamo "à lá Dan Brown" ou seja, pequenos capítulos, que contam a história através dos olhos de uma só personagem, com personagens distantes fisicamente, deixando o acção em suspense no fim do capítulo, fazendo com que o leitor devore o livro.
A saga segue a família Stark de Winterfell pelo reino de Westeros e mais algumas personagens com importância, por outras partes do mundo.
O pai, Eddard Stark, Senhor de Winterfell (equivalente a um conde, com um largo domínio sob as suas ordens mas vassalo de um rei), a mãe, Catelyn Tully, filha mais velha do Senhor Hoster Tully de Riverrun, os filhos Robb, Bran e Rickon, as filhas Sansa e Aria, e o filho bastardo de "Ned" Stark, John Snow vêem, literalmente, a vida a andar para trás quando o Rei, Robert Baratheon (que, poucos anos antes depôs Aerys II Targaryen, porque o seu filho,  Príncipe Rhaegar Targaryen, raptou a irmã de "Ned", Lyanna, que estava prometida a Robert), "convida" "Ned" para ser a Mão do Rei (aquele que governa quando o Rei, por alguma razão, não o pode fazer. Como Robert preferia caçar e beber, a Mão do Rei, efectivamente, Reina). Eddard tenta recusar a grande honra mas no fim Robert é Rei e "Ned" aceita. A partir daqui os Starks confrontam-se com as intrigas e jogos de corte entre várias Casas e alguns opositores singulares, correndo, todos os Starks, perigo de vida.
Duas personagens importantes do próximo livro, Daenerys Targaryen e John Snow, começam a crescer neste Game of Thrones, mas irei dar conta delas noutro livro.
E o mais impressionante é que, para um livro de fantasia, só há sugestões da mesma. Dragões e mortos vivos são lendas de um passado não muito distante (cerca de cento e cinquenta anos) e aquilo que nos prende à história são os jogos de corte que não são tão fantasistas assim.
Pouca fantasia é melhor do que esta.

16 de dezembro de 2012

One Flew Over the Cuckoo's Nest

É sempre difícil ler um livro que deu origem a um filme da minha preferência. Voando Sobre um Ninho de Cucos é um dos melhores filmes para se sentir o pulso dos anos sessenta (a par com o Easy Rider ou o Woodstock) e quais as mudanças que eram necessárias operar nas mentalidades. Sempre adorei o filme e a interpretação de Jack Nicholson, mas tenho que admitir que o livro é muito superior.
Chief Bromden, o índio, supostamente, surdo mudo, narra a história pelo meio das suas alucinações (Bromden é, definitivamente, esquizofrénico), contando como McMurphy vai perturbando as maquinações da Combine (entidade que, na cabeça Bromden, controla toda a humanidade, através de máquinas e seres já alterados, como a enfermeira Ratched) através do seu confronto com a rotina do hospital. McMurphy acredita que o seu tempo encarcerado será mais fácil num hospital psiquiátrico do que num campo de trabalhos forçados mas rapidamente começa a mudar de ideias, principalmente quando descobre que pode ficar internado indefinidamente. Aos poucos o seu espírito livre e indomável entra em rota de colisão com a enfermeira Ratched, que no fundo representa o sistema em que estamos inseridos, e, aos poucos, vai desafiando-a e opondo-se, como pode, ao esquema de humilhação e domínio que o hospital, e em particular Ratched, impõe aos pacientes.
No fim, McMurphy tanto perde como ganha o confronto, numa das mais belas histórias sobre o que é que nos faz realmente livres.

23 de novembro de 2012

The Electric Kool-Aid Acid Test

Tom Wolfe decidiu sair de Nova York e ir até São Francisco para saber exatamente o que andavam a preparar os Merry Pranksters, uma comuna artística psicadélica, cujo o guru era Ken Kesey.
Ken ganhou uma bolsa para um curso de pós graduação em escrita criativa, foi um desportista quase olímpico (uma lesão no ombro impediu-o de ir aos Jogos) e decidiu fazer parte do projeto da C.I.A., MKUltra, em que os voluntários eram expostos às mais mais variadas drogas psicadélicas (L.S.D., D.M.T., etc) por forma a estudar os efeitos das mesmas no ser humano. Apesar da C.I.A. ter como objetivo fazer o Super Soldado (seguindo a ideia alemã), os resultados foram fracos nesse campo, mas serviram bem a C.I.A. na elaboração do seu manual de interrogatório/tortura. Já a Ken, as drogas psicadélicas, serviram para abrir o espírito de tal maneira que este decide arranjar um part time no turno noturno de uma instituição psiquiátrica para observar os pacientes e ter acesso à reserva de L.S.D. do hospital. Desta "visita de estudo" surge a obra prima, Voando Sobre um Ninho de Cucos, (irei falar dele proximamente), que catapulta o jovem Kesey para o estrelato. Kesey compra então uma quinta em La Honda, perto de São Francisco, onde se começam a juntar os seus amigos e mais alguns desconhecidos, formando uma comuna ad hoc em que as pessoas eram encorajadas a expandir a sua mente, especialmente com o uso de L.S.D. O livro também descreve as duas viagens de autocarro (o Further) a Nova York e ao México com Neal Cassady, herói da Beat Generation, ao volante.
Tom Wolfe é um grande artista porque consegue com a sua escrita toda a loucura e desconexão de uma trip de ácido, mas ao mesmo tempo manter o leitor na história através de um fio condutor que deve tudo ao jornalismo, como uma crónica dos eventos de um manicómio. A escrita de Tom Wolfe faz-me lembrar o Gonzo Journalism de um contemporâneo seu, Hunter S. Thompson. Um grande livro em que mostra a ascensão e queda do movimento hippie, vista por dentro.

21 de agosto de 2012

O Padrinho

A trilogia "The Godfather", de  Coppola, é uma das obras primas do cinema. Quando comecei a ler o livro estava com receio que, de alguma forma, o filme perdesse um pouco do seu brilho. Estava totalmente enganado uma vez que o filme é fiel ao livro, com uma precisão de detalhe incrível. Para isso contribuiu, sem dúvida, a participação de Puzo na elaboração com Coppola da adaptação do argumento.
Claro que no livro algumas personagens são mais desenvolvidas e assim aparecem pequenas side stories, não incluídas no filme, que dão ainda mais riqueza a todo o universo de Puzo.
Puzo é um excelente escritor, com um sentido de ritmo fantástico, que nos conduz pela história de uma família emigrante na América. Se mudarmos o nome Corleone para Rockefeller, ou outro qualquer, acabamos por verificar que este livro não conta a história de uma família mafiosa mas sim a história da América com o seus fluxos de imigrantes (Italianos, Irlandeses, Polacos, Russos, Hispânicos, etc) que fazem a grandeza da América (apesar de serem sempre perseguidos e humilhados).
Um excelente livro para se ler nas férias (li em dois dias apenas), mesmo que não se goste da temática dos gangsters, porque se fica a conhecer, mais um pouco, como foi construido esse grande país (NOT!!!), os Estados Unidos.

22 de abril de 2012

Homens Que Matam Cabras só com o Olhar

Jon Ronson é um jornalista galês que decidiu investigar as explorações que o exército americano fez no campo da New Age e do paranormal, no fim dos anos 70, início dos 80. Até aqui tudo (mais ou menos) bem... Não é de agora que os grandes exércitos, na sua procura do super soldado, "apelam" para poderes superiores. Já Hitler tinha uma divisão que estudava o paranormal (mas também novos métodos para exterminar, extirpar, torturar, humilhar todos os opositores e mais alguns) para tentar desencantar uma vantagem sobre o adversário.
No fim do trauma do Vietname as forças armadas americanas estavam deprimidas, quer humanamente, quer como instituição. Era necessário fazer algo que, por um lado, devolvesse o amor próprio ao militar americano e que, por outro, tornasse os Estados Unidos na super potência que parecia ser, mas que falhou demonstrar no terreno do Vietname.
Estão assim abertas as portas para que a insanidade se instale.
LTC Jim Channon (para quem não sabe LTC quer dizer Lieutenant Colonel - Tenente Coronel... bastante alto na cadeia, pode-se dizer), ao sair de um helicóptero em pleno combate, verifica que os seus homens, todos novatos, falham propositadamente o alvo a abater (no caso, uma mulher vietcong altamente motivada). Devido a essa ineficácia, Channon, é baleado no peito e, nesse momento, tem uma epifania. Se os soldados sentem uma força dentro deles que os impede de matar, porque não usar essa força para benefício do Grande Exército Americano? Com estes argumentos, Jim Channon, convence o Estado Maior a pagar-lhe uma "visita de estudo" a todos os movimentos New Age que a costa Oeste dos Estados Unidos produziu. Se somarmos a isto todas as drogas possíveis e imagináveis, o que obtemos é o First Earth Battalion (juro que não estou a brincar), completo com um manual de 125 páginas! Eu não consigo sequer começar a descrever as coisas que eles tentaram (há um dos soldados que afirma que matou uma cabra só de olhar para ela, daí o título do livro) mas o que é facto é que alguns dos procedimentos do manual foram usadas na guerra do golfo, pelo Bush, como forma de torturar pobres desgraçados...
Resumindo: um livro obrigatório! Hunter S. Thomson diria: "Pure Gonzo Journalism"!
O porquê do Bush ter usado no Iraque tais técnicas de tortura é tema para o meu próximo livro, The Shock Doctrine, uma autêntica bomba!!!

22 de março de 2012

As Aventuras de Huckleberry Finn

"As Aventuras de Huckleberry Finn" é a sequela de "As Aventuras de Tom Sawyer". Twain muda de estilo, narrando a história na primeira pessoa através da voz de Huck. Após o final do livro anterior, a Viúva Douglas decide tomar conta de Huck e "civilizá-lo". Passado pouco tempo, Huck começa a sentir desconforto no aperto das roupas finas e o constrangimento das regras da sociedade. Quando escapa da Viúva, cai nas garras do Pai, o bêbado da aldeia. Após variadíssimos abusos, Huck decide fugir novamente mas de vez. Nas peripécias da fuga acaba por escapar com o Negro Jim. Como escravo em fuga, Jim fica com a cabeça a prémio (300 dólares - uma pequena fortuna, à época).
A acção desenrola-se pelo Mississippi abaixo, por mais de onze mil milhas, permitindo a Twain mostrar as vidas e os costumes do Sul esclavagista moderado (nenhum negro é chicoteado nesta história e, como sempre, as coisas correm bem da maneira mais mirabolante possível). No fim Huck torna-se amigo de Jim, contra tudo aquilo que aprendeu na sua educação.
Apesar do livro ser divertido e de fácil leitura, tenho alguns reparos a fazer:

Primeiro, o fim é um pouco atabalhoado. Merecia talvez mais um capítulo ou dois. Segundo, acho que esta tradução não é a melhor. No início o tradutor informa o leitor que grande parte do texto é escrito em vários dialectos e como tal algumas coisas se perderam na tradução e depois aparecem no texto pérolas como "intelequetual" ou "matrial". Fiquei sem perceber se eram apenas erros tipográficos ou tentativas péssimas de fazer uma transposição para a língua portuguesa do dialecto que a personagem está falar no momento.
Por último quero agradecer muito, muito, muito à Tatiana por realmente prestar atenção ao que as pessoas dizem. Estou muito contente por te ter conhecido.

1 de março de 2012

As Aventuras de Tom Sawyer

É muito difícil escolher um livro para mim, a minha mãe que o diga que já repetiu uns quantos. Quando a minha amiga Ana ofereceu-me este clássico, ela ficou quase tão contente como eu, por ter acertado num livro que eu ainda não tivesse lido.
Ao princípio achava que este Samuel Langhorne Clemens (Marc Twain para os amigos) ia ser uma seca, super descritivo, como os nossos românticos, os vitorianos ingleses ou o Jules Verne. Não podia estar mais enganado. Twain escreve simples e tem a mestria de, com muito poucas palavras, dizer tudo o que quer e invocar imagens muito bonitas da vida nas margens do Mississippi na mente do leitor.
Cada capítulo, apesar de inseridos numa história maior, pode ser lido separadamente e conseguirá fazer sorrir o mais mal humorado dos velhos dos Marretas.
Tom é o rapaz típico: adora a liberdade e odeia a escola. Isso aliado ao facto de viver junto das margens do Mississippi onde há imensas actividades interessantes como pescar, procurar um tesouro, dormir ao relento, explorar grutas, namorar ou tomar banho no rio tornam a vida da Tia Polly (a senhora que cuida de Tom e de seu meio irmão, Sid) muito mas muito difícil. As brincadeiras e tropelias de Tom fazem-me lembrar as que eu fazia em Monte Real quando era miúdo e se não fiz disparates iguais pelo menos fiz parecidos. Aliás quem as não fez? E quem não fez tenho pena, devem ter tido uma infância muito chata...

26 de dezembro de 2011

Vício Intrínseco

Imaginem um L.A. Confidential com conspiração, CIA e um círculo de tráfico de heroína para financiar operações menos recomendáveis, mas em vez dos polícias durões e corruptos do Confidential, temos um detective privado hippie e pot head arrastado para uma história, talvez demais para a sua camioneta, por uma ex-namorada que se meteu com as pessoas erradas. Junte-se a isto um advogado, também pot head, um saxofonista heroinomano, um milionário que tem um súbito ataque de consciência e uma escuna com o nome de Golden Fang e o resultado é um livro fantástico.
Pynchon brinca com o estilo do policial negro dos anos 50, adaptando-o ao fim dos anos 60, com toda a loucura que isso implica. Desde a enumeração de todos os tipos de erva disponíveis na costa Oeste dos Estados Unidos até aos melhores locais de L.A. para matar a ressaca do fumo (comer) por noventa e nove cêntimos, tudo cabe neste romance. Sportello (o herói da história) consegue desfiar a trama do caso durante uma trip de LSD, qual Sherlock Holmes envolto nos seus fumos de ópio.
Estilo e escrita irrepreensível fazem da leitura deste livro o prazer enorme que não posso deixar de aconselhar a todos.

10 de novembro de 2011

Fear and Loathing in Las Vegas: A Savage Journey to the Heart of the American Dream

Quem me conhece sabe que o "Delírio em Las Vegas" é um dos meus filmes favoritos e, provavelmente, já o viu em minha casa umas quantas vezes.
Assim, nada mais natural que ler o livro também.
Thompson mudou-se para para São Francisco em 1965, e esteve na crista da Big Acid Wave, em conjunto com nomes como Ken Kesey, Jefferson Airplane ou  Owsley "The Cook" Stanley, e quando o Summer of Love atingiu São Francisco, Thompson já era um jornalista experiente, com várias publicações espalhadas por vários jornais dos Estados Unidos e da América Latina e dois romances de ficção (não publicados na altura) na bagagem.
Thompson começa a obter notoriedade nacional com um artigo no jornal The Nation sobre os Hell's Angels, após o qual recebe vários convites para escrever um livro. Passado um ano a viver com o grupo e alguns dissabores (Thompson foi espancado por membros do gangue) o seu primeiro livro, Hell's Angels: The Strange and Terrible Saga of the Outlaw Motorcycle Gangs, foi publicado. Esta foi a primeira incursão de Thompson na não ficção e o seu primeiro sucesso literário. A partir daqui sucedem-se colaborações em publicações de renome como New York Times Magazine ou a Esquire, e Thompson começa a interessar-se pelo tema principal deste Fear and Loathing in Las Vegas: a morte do American Dream.
Em 1970 Thompson escreve, por encomenda, The Kentucky Derby Is Decadent and Depraved, peça desportiva sobre o Kentucky Derby, no qual Thompson se preocupa mais com o ambiente decadente do Derby do que propriamente com os resultados desportivos (Thompson não conseguia ver as corridas do seu local de observação). A peça é ilustrada por Ralph Steadman, que o acompanha ao derby, numa primeira de muitas colaborações na carreira de ambos.
Thompson e Acosta
Del Toro e Depp
Em 1971, Thompson junta-se a Oscar Zeta Acosta ("One of God's own prototypes. A high-powered mutant of some kind never even considered for mass production. Too weird to live, and too rare to die" nas palavras de Thompson) para recolher informações sobre a morte de Rubén Salazar, um americano de origem mexicana mexicano morto numa manifestação pela polícia de Los Angeles, mas devido às tensões raciais decidem continuar a conversa em Las Vegas, aproveitando uma proposta de trabalho de Thompson para cobrir a corrida Mint 400. Um mês depois Thompson volta a Vegas com Acosta para cobrir a Convenção Nacional de Procuradores sobre Narcóticos e Drogas Perigosas (tradução minha). Quem melhor que um advogado com um vício de anfetaminas e LSD e um jornalista com historial de abuso de drogas e amor pelas armas para cobrir tal convenção? Destas duas viagens sai uma obra prima, este Fear and Loathing, ilustrado por Steadman com grotescas caricaturas de Thompson (Raoul Duke no livro) e de Acosta (Dr. Gonzo, "a 300-pound Samoan", em honra do gonzo journalism, estilo literário inventado por Thompson), que depois de descascada de todo o surrealismo mostra claramente a desilusão de todo um movimento de contra-cultura afogado no mainstream americano.
Um livro que toda a gente devia ler.



19 de setembro de 2011

Por Um Fio

Joe Connelly faz pleno uso da sua experiência profissional (foi para-médico durante cerca de 10 anos) para escrever este livro, tanto no conteúdo, como na sua forma. No conteúdo, porque as descrições das situações de emergência são fabulosas e às vezes tão surreais que só podem ser verídicas. Na forma, porque não há qualquer dúvida que este livro foi escrito por alguém que trata o stress por tu.
As coisas que acontecem a Frank, personagem principal, levam à reflexão por parte do leitor sobre assuntos muito importantes para a humanidade como a solidão, a pobreza, a miséria humana ou a morte, e fazem que que este esteja à beira da loucura, falando com os fantasmas das pessoas que "matou" (ou melhor: não consegui salvar). O título original do livro é Bring out the dead, pregão da idade média do cangalheiro, imortalizado pelos Monty Python no magnífico Quest for the Holy Grail, o que faz muito mais sentido uma vez que todos os pacientes que Frank assiste no livro morrem, excepto um traficante de droga, que talvez merecesse morrer.
Por Um Fio deu origem a um filme homónimo de Martin Scorsese, que eu aconselho vivamente a ver, que segue, de forma bastante fiel, o conteúdo do livro. Quanto à forma não podiam ser mais dispares: Scorcese filma com planos lentos, a banda sonora, com o tema principal de Van Morrison, T. B. Sheets, arrasta-se pelas ruas de Nova York tal e qual como a ambulância velha com que Frank e os seus parceiros patrulham a noite dos drogados, prostitutas, traficantes, bêbados e todos aqueles que a Big Apple rejeita. Quanto ao livro, este é escrito de forma vertiginosa (lê-se num ápice), segundo a perspetiva de um homem acabado, a caminho da loucura induzida pelo stress, que bebe álcool e café para se acalmar. Não é, sem dúvida, o típico bêbado que se arrasta e vomita mas um homem que apesar de beber não consegue por de lado a enormidade da sua tarefa e os sonhos de salvar o mundo, uma pessoa de cada vez, vão dando lugar à certeza de que o mundo não pode nem quer ser salvo.

9 de junho de 2011

O Cid, Campeador

Prosa épica baseada na Gesta Castelhana do séc. XIII, El Cantar del Mio Cid, adaptada por Arthur Lambert da Fonseca, conta a história de um herói da reconquista Ibérica, Rodrigo Díaz de Vivar, que viveu no século XI e que ganhou fama batalhando os mouros, culminando com a sua conquista de Valência.
Li novamente este livro porque foi, digamos, um percursor do meu gosto de fantasia. A minha mãe comprou-o num alfarrabista e ofereceu-me quando eu tinha uns 15 anos. Não me lembro se já tinha lido o Tolkien ou a Ursula Le Guin mas sempre gostei deste livro, apesar de agora, após alguma pesquisa, saber que a história do Cid não foi bem assim. Se gostam de fantasia, romances de cavalaria ou romances históricos e apanharem este livrinho num alfarrabista aproveitem porque é bem engraçado.

27 de maio de 2011

Daenerys a Mãe dos Dragões

Este Daenerys a Mãe dos Dragões apresenta aos jovens (ou quem o quiser ler) o maravilhoso universo da série As Crónicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, através da história da última descendente da casa Targaryen, senhores dos sete reinos, depostos por Robert Baratheon, o Usurpador, que matou seu pai e seu irmão mais velho e a forçou ao exílio do outro lado do mundo com o irmão Viserys, à procura de um exército para reconquistar o trono. Viserys vende a irmã a Khal Drogo, chefe do maior Khalazar (líder de uma horda que fica a meio caminho entre os Índios da América do Norte e os Mongóis da China) por 10.000 cavaleiros Dothraki. As coisas não correm bem como Viserys espera, e Daenerys torna-se a verdadeira descendente dos dragões. Este pequeno livro é composto pelos capítulos dedicados a Deanerys nos dois primeiros  volumes das Crónicas de Gelo e Fogo, não trazendo nada de novo a quem já leu esses volumes, mas é interessante ver como a história se desenrola toda de seguida. Para quem estiver interessado mas não quiser comprar o pequeno volume pode sempre fazer o download da versão integral deste eBook aqui.

The Earthsea Quartet 3 de 4 - The Farthest Shore

Algo de grave acontece em Earthsea, quando nos confins do mundo aparecem rumores de que a magia nunca existiu, as canções começam a desaparecer e os homens sacrificam as suas crianças em altares... Arren, um jovem príncipe das ilhas Enlad, chega a Roke, com notícias perturbadoras de que também na sua ilha, terra de Morred, as palavras da verdadeira fala estão se a perder. Num ato irrefletido de lealdade, Arren joga-se aos pés do Arquimago, jurando servi-lo enquanto for preciso. Ged e Arren (Lebannen de seu nome verdadeiro; e que quer dizer Rowan Tree na fala orginal - sorveira brava) seguem no Lookfar (barco já mítico de Ged) até aos confins do sul, onde as regras mudam e onde surgiram as primeiras notícias de mudança. Arren começa a conhecer o mundo e a si próprio, enveredando também numa viagem de auto-conhecimento, que começa com uma criança e acaba com um homem... Após várias peripécias, como se de um romance policial se tratasse, seguem de pista em pista até que Lookfar segue o dragão Orm, até Selidor, a ilha mais longe, na qual se encontra Cob, a nemesis de Ged, quem sabe mais poderoso que este, e que na sua ânsia de poder destrói o equilíbrio do mundo, abrindo uma ferida neste (um pouco como Ged o fez no primeiro livro). Com a ajuda preciosa do dragão, Ged e Arren seguem Cob para a terra seca, onde as estrelas nunca se põem, e sacrificando toda a sua arte e quase a vida, Ged fecha o buraco do mundo e torna-o inteiro novamente. Arren arrasta-se e a Ged pelas montanhas da Dor e consegue voltar novamente para o mundo dos vivos pelo caminho mais comprido e difícil.
The Farthest Shore (A Praia Mais Longínqua na Presença e O Outro Lado do Mundo na Argonauta) é a conclusão perfeita da mais bela trilogia de fantasia que eu já li, na qual só com grandes sacrifícios as coisas importantes são realmente feitas.

17 de maio de 2011

The Earthsea Quartet 2 de 4 - The Tombs of Atuan

The Tombs of Atuan (Os Túmulos de Atuan ou Os Túmulos de Atuan mas eu apontava para a tradução da Livros do Brasil pelo Eurico da Fonseca) conta a história da procura do Anel de Erreth-Akbe, perdido há muitos séculos, e que leva Ged até às terras Kargad, mais precisamente à ilha de Atuan. Aí, perdido no meio do deserto, existe um templo erguido em nome de um dos antigos poderes da terra, com uma sacerdotisa, Arha, a Devorada, The One Priestess, para sempre renascida. No dia e na hora em que morre a Arha-que-foi, partem dos Túmulos pessoas em busca da Arha-que-é, procurando todas as meninas que nasceram nessa altura, ao estilo do Dalai Lama. Assim, uma menina de 5 anos, chamada Tenar, é arrancada dos braços da mãe e levada para os Túmulos para cumprir o seu destino eterno e se tornar Arha. Os dias no templo vão-se passando e Arha não encaixa bem na rotina é norma. Um dia, um ladrão tenta roubar os Túmulos - Ged. Arha engana o mago e este entra num labirinto do qual não pode sair. A sacerdotisa, para satisfazer a sua curiosidade, interroga o prisioneiro acerca das suas motivações e das artes mágicas, que não existem nas terras Kargad, acabando por descobrir que a prisioneira era ela. Ged mostra-lhe aquilo que ela pode ser e esta escolhe ser Tenar fugindo com Ged dos Túmulos, levando consigo o Anel de Erreth-Akbe. Mais uma vez a beleza e a simplicidade da escrita de Le Guin impressionam, levando o leitor a devorar as páginas deste livro, que se debruça sobre o auto conhecimento, sobre o destino que podemos dar às nossas vidas e sobre as escolhas que fazemos e como elas nos afetam. E para terminar: "(...) Freedom  is a heavy load, a great and strange burden for the spirit to undertake. (...) It is not a gift given, but a choice made, and the choice may be a hard one. The road goes upward towards the light; but the laden traveller may never reach the end of it. (...)" ("A liberdade é um fardo pesado, um grande e estranho fardo para o espírito absorver. (...) Não é um prémio dado, mas uma escolha feita, e essa escolha pode ser bem dura. A estrada sobe até à luz; mas o viajante carregado pode nunca chegar até ao fim."

5 de maio de 2011

The Earthsea Quartet 1 de 4 - A Wizard of Earthsea

The Earthsea Quartet é composto por quatro livros que contam as aventuras e desventuras de Ged, o Gavião (Sparrowhawk no original). O primeiro, A Wizard of Earthsea (O Feiticeiro de Terramar ou O Feiticeiro e a Sombra em Português) principia em Gont, uma ilha famosa pelos seus cabreiros, marinheiros e mágicos, numa aldeia remota das montanhas onde o jovem Ged dá mostras, pela primeira vez, do seu poder imenso. Ogion, o silencioso, toma o rapaz como pupilo e tenta-lhe ensinar aquilo que lhe falta. Não o poder, que isso ele tem demais, mas paciência. Ged não se contenta e Ogion envia-o ao Arquimago em Roke, a ilha dos sábios, para que ele aprenda as mais altas artes mágicas, recomendando-o como "(...) one who willbe greatest of the wizards of Gont (...)". Ged torna-se o mais rápido aprendiz de Roke até que, por orgulho e despeito, abre uma fenda no tecido do mundo, libertando uma Sombra que o deforma e tenta destruir. Quando Ged finalmente se torna um Mágico (processo muito moroso porque a Sombra destrói toda a sua confiança) este parte primeiro como presa e depois como caçador numa demanda de auto conhecimento, que o leva a enfrentar dragões e os antigos poderes da terra, até aos confins do mundo conhecido, numa tentativa de descobrir o nome verdadeiro da Sombra, chegando à conclusão de que a Sombra é uma parte dele mesmo e que só pode ter um nome: Ged!
Le Guin é uma fantástica contadora de histórias e tem nestes livros a mais bela descrição de magia que eu já li: o poder vem de saber os verdadeiros nomes das coisas, nomeados por Segoy (Deus) no início dos tempos e que a realidade é uma grande palavra para sempre proferida até ao fim dos tempos ("For magic consists in this, the true naming of a thing"). Quando o encantamento é feito ele é "tecido" com palavras e movimentos ("(...) he wove on the wind's loom a sail of spells, a square sail white as the snows on Gont Peak above. At this the women watching sighed with envy. (...)" - "(...) ele teceu no tear do vento uma vela de encantamentos, uma vela quadrada branca como as neves do Gont Peak. As mulheres que observavam suspiraram de inveja (...)"). Lindo!!!

14 de abril de 2011

O Dragão Branco (1 e 2)

O Dragão Branco (novamente em dois volumes na coleção Argonauta e em um volume na coleção da Gailivros) é o fim da trilogia Dragonriders of Pern. Conta a história do jovem Senhor Jaxom, órfão de Pai e de Mãe, herdeiro do Baluarte de Ruatha, por Lessa, agora Mulher-de-Ninho de Benden, ter abdicado em seu favor, e cavaleiro de Dragão de Ruth, um pequeno Dragão Branco, que Jaxom salvou de morte certa, quando o seu ovo estava prestes a ser abandonado por todas as outras pessoas por ser mais pequeno. e não ter aberto de imediato. Esta Impressão causou grandes problemas aos Chefes de Benden porque Lessa apenas abdicou Ruatha para o jovem Jaxom e os outros Senhores de Baluarte insistem que Ruth seja criado no Ninho. Inicialmente todos sentem que o pequeno Dragão não irá viver muito tempo (todos expecto os seus pais: Ramoth e Mnementh) por isso deixam Jaxom tome conta de Ruth no seu Baluarte. Isto cria ainda mais problemas porque Lytol, Guardião de Ruatha e tutor de Jaxom, a pessoa que o jovem mais quer agradar, é um ex Cavaleiro de Dragão, que perdeu o seu animal num acidente e sofre imenso com isso. Ruth cresce e mostra-se saudável, apesar de diferente, e revela-se o Dragão mais inteligente de todos, atingindo uma cumplicidade com Jaxom única e tornando-se um Dragão muito apreciado entre os seus pares e entre todos os Cavaleiros de Pern. Anne McCaffrey continua aqui neste livro a mostrar toda a sua qualidade na escrita, desenvolvendo mais um pouco o complexo e maravilhoso mundo de Pern.